FESTIVAL BRASILEIRO DA CERVEJA 2014 – RESENHA

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O Festival Brasileiro da Cerveja, que acontece todo mês de março em Blumenau, é uma festa e tanto. Depois de três anos deixando de ir à festa pelos mais variados motivos, este ano pude conferir de perto como funciona este evento que é referência no setor cervejeiro brasileiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAStand da Way

Além do concurso nacional, que este ano contou com mais de 400 rótulos participantes e de um ciclo de palestras de alto nível, a feira que acontece de quarta a sábado é a oportunidade para conferir as produções da grande maioria das cervejarias brasileiras. Este ano foram 81 cervejarias expositoras, além de várias empresas diretamente relacionadas ao setor, que iam de equipamentos de fabricação a revistas, passando até pelo sorvete de cerveja.

Ao entrar nos dois pavilhões da Vila Germânica, pude comprovar: era stand que não acabava mais. E, diante da oferta de centenas e centenas de rótulos, eu, que havia chegado apenas na sexta para ir embora no domingo, estabeleci como meta degustar apenas as cervejas que ainda não conhecia, ou seja, as novidades e as cervejas que nunca chegaram a Belo Horizonte City. E mesmo assim tive trabalho, muito trabalho. Foram mais de 50 rótulos diferentes em dois dias, e, naturalmente, muita coisa boa ainda ficou de fora. Mas fiquei satisfeito com o apanhado geral que consegui fazer da feira, no final das contas, apesar de não ter encontrado todos os amigos que gostaria e ter tido pouco tempo para trocar ideias (a própria correria da feira impediu o pessoal nos stands de ficar batendo papo).

O que pude perceber foi que as tendências que já vínhamos percebendo nos últimos tempos se confirmaram: uma delas é o conceito de session beers, cervejas produzidas com teor alcoólico reduzido, geralmente abaixo dos 4% abv, com a intenção de privilegiar a drinkability e facilitar o consumo em maiores volumes. Foram lançadas session IPAs, como a Wäls Citra, a 2 Cabeças Funk IPA e a F#%*ing Fresh Beer, assim como a Limbo, session stout da Seasons, entre outras. No extremo oposto, veio a tendência de “duplicar” cervejas que já eram fortes, como a já conhecida Double Perigosa, com seus 15,1% abv, e a Double MaracujIPA da 2 Cabeças, outra pancada digna de menção.

Algumas cervejarias lançaram suas witbiers, como a Bierland com sua Oceânica e a Schornstein com sua Blanche de Maison, ambas receitas vencedoras de concursos de homebrewing (outra tendência que se afirmou nos últimos anos), e a Baden Baden, que lançou uma witbier sazonal com aroma de laranja no lugar das tradicionais cascas. Pessoalmente sempre achei o estilo uma excelente aposta para o mercado brasileiro: leve e muito refrescante, excelente para o nosso clima, sem abrir mão de complexidade aromática e de sabores. Outra receita vencedora de concurso foi a Frosty Bison, American IPA da Eisenbahn, que era a Idi Amin da ToTem Bier Atelier, daqui de Minas Gerais. Essa pudemos tomar inclusive na fábrica, em chope, no sensacional copo que remete ao da Spiegelau/Sierra Nevada/Dogfish Head.

blumenau eisenbahn reduxEisenbahn Frosty Bison no bar da fábrica.

As tendências das IPA com brettanomyces e das cervejas de fermentação lática também aportaram por lá. A Way pegou sua Die Fizzy Yellow como base e fez uma 100% Brett IPA que foi minha cerveja favorita da feira. Espetacular. Lançaram ainda a linha Sour Me Not, com sours com adição de acerola, morango e graviola, todas de acidez intensa mas sabores das frutas perceptíveis e equilibrados, que contribuíam para a acidez. Excelentes. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMenu do chopes da Way e Way Dog lá no fundo.

Por fim, as cervejas com amadurecimento em madeiras diversas, que foram um dos motes da Bodebrown, cervejaria bicampeã do Concurso. As Wee Heavies maturadas em barris de carvalho americano, francês e de bourbon atingiram resultados incríveis. Foram o destaque para mim, juntamente com a Brett IPA da Way. Aliás, a Bodebrown, sagrada bicampeã, teve seu stand mais movimentado que guichê de banco em dia de pagamento. Era muito interessante ver parte do público que ia atrás das cervejas do Samuel e cia. por causa dos prêmios provando verdadeiros petardos como a Atomga e a Double Perigosa. Logo de cara ficaram cientes de onde a cerveja é capaz de chegar e a explosão de sabores que ela pode proporcionar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFilinha de leve

blumenau bodebrown reduxBodebrown 4Blés, Odell Rye IPA e Double Perigosas

blumenau bodebrown madeira reduxBodebrowns Wee Heavies envelhecidas em barril de carvalho americano, francês e de bourbon: de chorar.

A Lagom surpreendeu e chamou a atenção ao levar uma cask ale, uma English IPA, servida no tradicional sistema “pescoço de cisne” de bombeamento manual. Outra ideia muito interessante foi a “Liga das Cervejas Extraordinárias”, stand que reuniu em um só lugar as cervejarias Gauden Bier, Pagan, Morada, F#%*ing Beer, Dum e Tormenta. Só coisa fina. Me agradaram especialmente a Grand Cru da Dum e a Hoppy Day da Tormenta. Tesão de cervejas. Fica a ideia para várias microcervejarias viabilizarem financeiramente sua participação em feiras, entre outras vantagens: dividir o stand chama a atenção para todas as cervejas de uma vez só e ajuda a arcar com os custos do stand. A união faz a força!

blumenau a liga redux

Cervejas da Liga: Dum Grand Cru, F#%*ing Fresh Beer, Morada Hop Arabica e Wheat Wine Sour, Dum Petroleum e Tormenta Hoppy Day

Em suma: vale muito a pena ir para Blumenau conferir esta verdadeira festa da cerveja. Recomendo inclusive fazer diferente do que eu fiz e pegar a quarta e a quinta-feira também, que são dias menos cheios e que irão te permitir experimentar mais cervejas, com mais calma, e ter mais tempo para conversar com a galera, além de poder aproveitar a programação paralela e a cidade, que me dá vontade de morar toda vez que piso lá.

P.S: Em maio acontecerá aqui em Belo Horizonte4ª edição do South Beer Cup, juntamente com a Brasil Bier e a ExpoCachaça. Em breve maiores informações por aqui. Stay tuned.

Ouvindo: Led Zeppelin – The Rover

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