SEPULWEISS – ROCK E CERVEJA: CASAMENTO PERFEITO!

É muito interessante ver como minha história sempre se cruzou com a do Sepultura ao longo desse tempo todo. Quando comecei a ouvir rock, 25 anos atrás, esses conterrâneos que moravam no tradicional bairro de Santa Tereza estavam lançando seu primeiro split com o Overdose e tocando o terror na cena heavy metal belorizontina, que ainda engatinhava. Depois do primeiro disco “inteiro”, Morbid Visions, que trazia a clássica “Troops Of Doom”, a banda perde Jairo Guedez, e recruta um talentoso guitarrista paulista, Andreas Kisser, que proporciona um salto na qualidade técnica da banda. O primeiro disco com Andreas na guitarra, Schizophrenia, lançado em 87, chama a atenção dos gringos e proporciona um contrato com a gravadora RoadRunner. Nesta época o Sepultura excursiona por todo o Brasil e se fixa em São Paulo, por razões comerciais óbvias. Era a época em que nós, fãs de heavy metal, nos reuníamos na porta da Cogumelo, loja e selo de heavy metal que lançou o Sepultura e outras dezenas de bandas e foi um dos pilares da cena heavy brasileira, e ficávamos horas ouvindo os discos e olhando as capas dos últimos lançamentos brazucas e gringos do heavy, thrash e death metal, e à noite bebendo cerveja no Pop Pastel e fazendo cara feia pros punks.

O primeiro disco lançado pelo novo selo, Beneath The Remains, de 89, com produção do americano Scott Burns, inaugura uma nova fase na carreira do Sepultura, que estava pronto para ganhar o mercado mundial. Com ele, veio a primeira turnê internacional, onde colocaram o Sodom no bolso, e chamaram ainda mais a atenção da mídia mundial. Ao se mudarem para Phoenix, no Arizona, eles gravam aquele que é considerado por muitos o melhor disco da carreira: Arise, de 1991. Com produção impecável e músicas matadoras como Dead Embryonic Cells, Desperate Cry, Arise e Altered State, o Sepultura passa da posição de banda influenciada pelos grandes nomes do metal para grande nome do metal e banda influenciadora de dezenas de outras que viriam depois. BH recebe o show desta turnê em 92, no extinto Campo do Lazer (onde hoje é o shopping Diamond Mall), um dos melhores shows que já vi até hoje.

Em sequência, lançam aquele que é meu disco favorito, Chaos A.D., de 93, onde pela primeira vez elementos de percussão e da cultura indígena aparecem na obra da banda, e músicas como Refuse/Resist e Territory consolidam o nome do Sepultura como uma das maiores bandas do metal de todos os tempos. As novas abordagens musicais iniciadas em Chaos A.D. foram intensificadas em Roots, de 96, que deu ainda mais projeção mundial ao Sepultura. Porém atritos levaram Max, vocalista, guitarrista e líder da banda a sair, permanecendo seu irmão Igor, Paulo e Andreas com a missão de achar um novo frontman, já que Andreas não se adaptou 100% ao acúmulo de funções. Recrutando Derrick Green, o Sepultura iniciou nova fase e lançou vários discos: Against, de 98, Nation (2001), Revolusongs (EP de 2003 com covers ecléticas e excelentes, como Bullet The Blue Sky, do U2), Roorback (2003), e os conceituais Dante XXI (2006) e A-Lex (2009), tendo o primeiro como inspiração a Divina Comédia e o segundo Laranja Mecânica. No meio da turnê de Dante XXI, Igor também deixa a banda e é substituído por outro conterrâneo (e ex-vizinho) meu: Jean Dolabella, que tocava na banda Diesel (e que posteriormente trocou o nome para Udora), que assume o posto com perfeição.

Foram vários shows em todo esse tempo, alguns muito marcantes como o da turnê do Chaos A.D. (com o Ramones), ou aquele do Mineirinho com o Deep Purple (o mais recente que vi foi em janeiro, quando eles abriram para o Metallica), e de lá pra cá o Sepultura nunca deixou a peteca cair. Sua contribuição para o rock e o heavy metal nacional (e mundial) é difícil de mensurar, mas o fato é que, com 25 anos de carreira (entrando no 26º ano), é muito bacana ver o Sepultura ter mais uma coisa em cumplicidade com este que vos fala: cerveja artesanal! A Sepultura Weissbier, ou Sepulweiss, é uma típica weizenbier, com cargas generosas de malte e fermento, feita pela Fábrica do Chopp, microcervejaria de São Paulo, e vem em um kit com o copo típico de weiss (de 600ml) com o logotipo comemorativo dos 25 anos do Sepulta.  Pois, então, sem mais delongas, aqui vão as impressões gerais da breja:

Aparência: cor laranja escuro, bastante turva, com espuma abundante, muito densa e branca.

Aroma: fermento, malte, cravo, especiarias, pouca esterificação, mais fenólica do que frutada.

Sabor: malte, fermento, leve cítrico, condimentado, picante. Baixo corpo, mas a dose generosa de fermento e malte deixam a cerveja com sensação de boca (mouthfeel) marcante.

Portanto, aproveito a oportunidade para erguer um brinde aos conterrâneos pelos 25 anos de carreira e pelo sucesso, mais do que merecido! Espero tomar algumas Sepulweiss com vocês da próxima vez que passarem por BH! \m/

Ouvindo: Sepultura – Refuse/Resist


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2 Respostas para “SEPULWEISS – ROCK E CERVEJA: CASAMENTO PERFEITO!

  1. Deste lado do Atlântico, continuamos a ver as cervejas do Brasil…em imagens. Aoo vivo, só mesmo a pouco recomendável Brahma.

  2. V, mais um motivo para você vir pra cá nos visitar! Um abraço!

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