CERVEJAS BROOKLYN, FINALMENTE! BROOKLYN BEERS, FINALLY!

A tão aguardada invasão americana tem feito nós, amantes da cerveja, muito felizes. Logo após a chegada das Flying Dog e das Anderson Valley, chegou em terras brazucas as legendárias cervejas da Brooklyn Brewery, cervejaria do mestre cervejeiro Garrett Oliver. Fincada no famoso bairro novaiorquino do Brooklyn, a cervejaria fundada pelos sócios Steve Hindy e Tom Potter no final da década de 80 tem na figura do mestre Garrett Oliver a representação fiel dos ideais americanos da Microbrewery Revolution.

Mr. Garrett, além de mestre cervejeiro criativo, ousado e preciso, é um verdadeiro beerevangelizador, no melhor estilo do grande Michael Jackson (não, não aquele), viajando seu país e o mundo promovendo degustações e harmonizações não somente de suas cervejas, mas de grandes representantes de todos os estilos. Seu livro, The Brewmaster’s Table, é mais do que um livro para se aprender sobre cerveja. É um incrível relato de como a cultura cervejeira tomou conta de sua vida quando ele foi morar na Europa, ainda na década de 80, e um compêndio que evidencia definitivamente a estreita e inquebrável relação que a cerveja tem (e deve ter) com a gastronomia. Talvez tenha sido o autor com o qual eu mais me identifiquei até hoje, pelo simples fato de que encaro a cerveja da mesma maneira que ele e de que não consigo dissociar a cerveja de suas acompanhantes vindas da cozinha.

Como o livro precedeu em muito a degustação das cervejas feitas pelo cara, a expectativa quando pus a mão nas garrafas das Brooklyn foi enorme, e tentei fazer com que isso não interferisse na minha avaliação, afinal havia o risco de uma decepção proveniente do excesso de expectativas ou uma mitificação pelo  simples fato de serem as cervejas “do cara”. Felizmente (e após várias outras degustações posteriores, mais frequentes agora que elas estão no Brasil) as cervejas estavam – e estão – exatamente no patamar que eu imaginava que estariam: são muito, muito boas e muito, muito equilibradas.

Só nos resta esperar que venham mais rótulos deles (há que se elogiar também a política de preços honestos praticada pela Brazil Ways), como a Black Chocolate Stout, a Monster Ale, a Post Road Pumpkin Ale (seria a primeira pumpkin ale a ser vendida no Brasil), a Pilsner, a Weisse, a Pennant ’55, a Local 2, a Hopfen Weisse feita em parceria com a Schneider… enfim, cerveja boa é o que não falta! E que Mr. Garrett venha nos visitar mais vezes, afinal de contas, ele é o cara!

Brooklyn Lager – 5,2%  (Estilo: American Amber Lager)

Quem acompanha o Beer Architecture deve ter lido a resenha sobre esta cerveja publicada aqui em dezembro (http://bit.ly/buMlKz). Como foi dito, ela apresenta cor âmbar alaranjada, translúcida, de espuma densa, persistente e abundante; aroma de lúpulo Cascade (e Hallertau), cítrico, floral, frutado (grapefruit), mel e malte; corpo médio, boa estrutura de malte, amargor evidente e persistente (principalmente no retrogosto). É uma cerveja de presença de malte e lúpulo marcantes, graças também ao dry-hopping utilizado em sua fabricação. É a cerveja de guerra da Brooklyn, mas não tem nada de ligeira: é uma cerveja e tanto.

Brooklyn East India Pale Ale – 6,8%  (Estilo: American IPA)

Apresenta cor alaranjada, ligeiramente turva (devido ao dry-hopping) e espuma branca não muito persistente ou densa. Mas o ponto alto mesmo desta cerveja é o aroma. Ela tem uma das combinações de lúpulos aromáticos mais instigantes que já senti. Amarillo, Centennial, Willamette, Northdown e East Kent Golding proporcionam não só o amargor mas o aroma extremamente herbal, cítrico, resinoso e de especiarias, como anis, pimenta e cardamomo. Os maltes dão boa sustentação, mas ficam em segundo plano. O  final é adocicado e lupulado, porém menos amargo e menos alcóolico que o esperado. Ela pede comida indiana ou pratos picantes em geral.

Brooklyn Brown Ale – 5,5% (Estilo: American Brown Ale)

Cuidado! Esta cerveja é viciante!

De cor marrom escura, com reflexos rubi, translúcida, com espuma bege abundante e densa, ela te envolve sorrateiramente com aromas de maltes tostados, caramelo, melaço, toffee, chocolate e lúpulo, para apresentar o tostado, notas de nozes e chocolate no palato, deixando final e retrogosto secos, de maltes torrados e lúpulo. A harmonia entre esses sabores  fazem com que você não queira parar de bebê-la. Se você não conseguir ficar sem ela na sua geladeira depois da primeira degustação, não diga que eu não avisei!

Brooklyn Local 1 – 9,0% (Estilo: Belgian Strong Golden Ale)

A Local 1 é uma belgian strong golden ale bem fiel à escola belga, ainda que tenha características americanas. A cor é um dourado claro, com espuma branca muito abundante e densa, boa carbonatação. Os aromas são de fermento, cítrico, fenólico e álcool, e no palato ela se apresenta condimentada, cítrica, frutada (damasco, pêssego, abacaxi), medicinal na medida certa. O final apresenta pouco residual doce,  e a lupulagem é adequada para o estilo, ou seja, nada que se aproxime das belgian IPAs.

Onde achar:

Em BH: Mamãe Bebidas – Av. do Contorno, 1955 – (31) 3213.9494

Na web: Bierboxx – http://www.bierboxx.com.br/

Cervejasnet – http://www.cervejasnet.com.br/

Nono Bier – http://www.nonobier.com.br

Ouvindo: Beastie Boys – No Sleep ‘Til Brooklyn

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It’s been a long wait. Since the beer culture arose in Brazil, we’ve been waiting for the american craft beers to come. We were among a rather satisfatory supply of belgian, english and – specially – german beers for quite a few years, but no sign of the well crafted, well hopped american beers. Until now.

The first american craft beers to reach this land were the Flying Dog and Anderson Valley beers, as I stated here. Following them, we had the pleasure to finally put our hands on some of the beers crafted by one of my major influences when it comes to beer, Mr. Garrett Oliver.

It’s funny how similar is the way we think beer. His book, “The Brewmaster’s Table”, had a tremendous impact on me. The way he thinks beer and its close relationship with food sounded familiar right from the start. He is – truly – my major inspiration when it comes to Beer + Food and the best way to prove my friends and people that attend my beer lectures that I wasn’t crazy when I paired different styles of beer with “unusual food choices” like chocolate, ice cream, asian food, oysters, “strange” cheeses and so forth.

We’ve waited so long to have beers from the US and having the beers from Brooklyn Brewery as one of the first samples available here is such a joy – and a pleasure to all the senses. Having the privilege to taste the deliciously rich hoppiness and malty backbones of Brooklyn Lager and East India Pale Ale,  the nutty-caramel-toffee flavors of Brooklyn Brown Ale and the citric, fruity flavours of Local 1, I’m beginning to feel rewarded. I have already paired them with some serious homemade burguers, indian food, nutty cakes, chocolates and a wide range of cheeses, but I’m just getting started, and longing to have the opportunity to have some more Brooklyn labels in the company of Mr. Garrett next time he comes to Brazil and thank him for all the inspiration. Thank you very much, Mr. Garrett, and cheers!!!

Uma resposta para “CERVEJAS BROOKLYN, FINALMENTE! BROOKLYN BEERS, FINALLY!

  1. Belíssimo post Rodrigo. Quem já experimentou, ao ler quase sente o sabor presente na lembrança e que vc descreve com tanta maestria. Quem ainda não havia tomado uma delas, com certeza, correu pra comprar uma depois de ler sua descrição!

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