KAISER BOCK

Lançada há 15 anos, em 1993, a Kaiser Bock foi a primeira cerveja diferenciada em muito tempo de mercado. Desde que rótulos como a Brahma Porter pararam de ser fabricados, as únicas opções oferecidas pelo mercado brasileiro eram as cervejas “tipo pilsen”, munich (que de munich dunkel não tinham nada) e as famigeradas malzbiers. Quando a Kaiser Bock apareceu, foi uma grata surpresa e foi muito bem recebida por nós.

Afinal de contas, tratava-se de uma cerveja puro malte, de 7,2% (na época), de cor extremamente bela, e aromas e sabores intensos. Lembro-me que o sucesso de seu lançamento levou as outras cervejarias a lançarem também suas versões, e, em pouco tempo, tínhamos disponíveis nas gôndolas Brahma Bock, Antarctica Bock e Skol Bock. Mas o fato é que a Kaiser Bock sempre foi a mais saborosa e mais bem feita das quatro, e foi a única que permaneceu.

Mas a pouca cultura cervejeira do brasileiro levou a rotular as cervejas bock de “cervejas fortes”, contribuindo para o estereótipo de “cerveja de inverno” (fico imaginando o que seriam então quadrupels, barley wines ou russian imperial stouts…), levando-a a uma produção sazonal (bem sazonal mesmo…), focada na estação mais fria. Mesmo que hoje ela tenha apenas 6,2%, não muito mais do que as “pilsens”. Ainda hoje, um dos conceitos que mais preciso trabalhar com os alunos é o conceito de “cerveja forte”. Forte de aroma, de sabor, amargor, corpo, coloração intensa, teor alcoólico alto ou simplesmente presença de álcool superior, já que uma cerveja pode ser forte em vários aspectos e ao mesmo tempo fraca em outros. Melhor exemplo? A Guinness, com seu aroma intenso de torrefação, café e chocolate amargo e seu baixíssimo corpo.

Após uma safra de 2007 muito “suavizada”, a Kaiser Bock voltou em 2008 com o mesmo teor alcoólico (6,2%), mas com o sabor e o aroma dos velhos tempos. Apresentou aparência âmbar bem avermelhado, translúcida, espuma bege de média densidade e persistente.

Aroma intenso de maltes torrados e tostados, picante, caramelizado, defumado. Sem aromas de lúpulo. Sabores de malte tostado e torrado persistentes, açúcar torrado, final pouco doce, lúpulo apenas equilibrando os maltes. Bom corpo (ao contrário da edição passada) e carbonatação não muito intensa.

Deveria ser produzida o ano todo, aproveitando-se o momento da expansão da cultura cervejeira, e não tão sazonalmente!

Ouvindo: Tankard – 666 Packs

7 Respostas para “KAISER BOCK

  1. Rodrigo,

    Tive a impressão totalmente diferente dela. Achei-a com álcool desequilibrado e doce residual excessivo. O corpo então…só a presença do álcool mesmo.

    Vou até reavaliá-la depois de ler seu post.

    Um abraço

  2. Edu, que estranho. A que eu tomei não tinha nada de residual doce, e sim muito aroma e sabor de maltes torrados, exatamente como disse no post. Quando você degustou?
    Um abraço!

  3. Caro Rodrigo,

    Particularmente havia até exposto minha opinião sobre a Kaiser Bock 2008 no orkut, apesar da pífia distribuição, não entendo o porque, consegui alguns exemplares em SP e com muita procura aqui em SC e minhas opiniões são bem opostas, ano passado ainda a achei bem interessante, inclusive defendendo-a dos ataques que havia mudado, agora este ano ela mudou e perdeu muito suas características que um dia apareciam, mas como disse o Edu é necessário reavaliar, era minha cerveja preferida e a mais esperada, mais uma vez o lucro em detrimento a qualidade.

    Abraços

  4. Até eu vou tentar achar ela de novo (sim, realmente a distribuição está pífia, para não dizer “atrasada” também…) e reavaliar se houve diferença de lote pra lote, porque as que eu bebi (comprei três latinhas, justamente com medo de não estarem boas) me surpreenderam.
    Abraços!

  5. Fala Rodrigão! Como sabe, ainda sou iniciante… Enfim, outro dia comprei uma caixa no Verde Mar (havia pilhas de caixas). Já bebi todas e achei a cerveja espetacular! Não considerei o doce excessivo, achei compatível ao estilo.
    Bom, como sou iniciante, não tenho como comparar com a “antiga” Kaiser Bock. Só sei que gostei muito desta!

  6. não sou nenhum degustador mais sou um eximio bebedor e vou falar tenho saudades da Kaiser Bock p/ mim é a melhor cerveja ja inventada pena que na minha cidade ñ encontro mais dela.

  7. Concordo com o Marcos aí de cima.Tá difícil de encontrar.E aí pessoal o que têm à dizer?

    Luiz Carlos.

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