DESAFIO DAS BOCKS – PAULANER SALVATOR E BADEN BADEN BOCK

O estilo bock (e seu derivado doppelbock) é um estilo da escola alemã, de baixa fermentação (lager), cuja principal característica é a presença de maltes caramelizados e tostados, sabor picante e sua indefectível cor avermelhada. A história do estilo remete à Idade Média na Alemanha, e a velha necessidade dos monges católicos de produzir cerveja “fortificada” para os jejuns da Quaresma, principalmente (isso aconteceu também na história da cerveja belga e por aí vai…)

A origem do nome do estilo é um mistério. Há duas versões mais aceitas: uma derivação de “beck”, derivado de Eisbeck, cidade alemã onde o estilo floresceu, e também o radical para “bode” (bock), em referências consideradas de origem “pagã”, pelo fato do estilo ser produzido normalmente na época do ano correspondente ao signo de capricórnio. Para o teste comparativo, escalei uma doppelbock genuinamente alemã e uma bock brasileira.

O estilo doppelbock nada mais é do que o estilo bock intensificado, em linhas gerais. Doppel, em alemão, significa “duplo”, “duplicado”. Com esse informação, já dá pra desconfiar do que se trata: uma bock “turbinada”, onde as concentrações de malte e, por consequência, o teor alcoólico, são maiores.

A Paulaner Salvator é considerada a doppelbock original, pedra fundamental do estilo, e a cerveja feita também para o consumo próprio do pai da religião luterana, Martinho Lutero. Era sua cerveja preferida, que ele apreciava beber especialmente em dias “mais amenos”, dado o potencial “aquecedor” da mesma…

Produzida até hoje pela cervejaria alemã, trata-se hoje, em dias modernos, de uma doppelbock de cor caramelo avermelhada, brilhante e translúcida. Espuma morena e pouco persistente. Aroma doce, picante, licoroso, de álcool e biscoito. Sabores de malte, pão, caramelo, doce e final amargo de lúpulo. Seu teor alcoólico de 7,9% a torna uma cerveja potente e de alto potencial aquecedor. Um ícone das lagers, sem dúvida.

Já a Baden Baden Bock é uma versão brasileira “premium” do estilo. Cerveja extremamente agradável e bem feita, apresenta cor de madeira escura, brilhante e translúcida, espuma mais abundante e de maior retenção. O aroma é suave e agradável, de malte, biscoito doce e um certo frutado. Os sabores de maltes tostados, pão, levemente picantes, aliados ao pouco amargor e lupulagem pouco notável, além da ausência de residual doce (característica marcante da Paulaner Salvator) são complexos e similares aos do estilo amber lager, com aquele “spice” a mais. Seu teor de 6,5% é absolutamente equilibrado e discreto, suficiente e satisfatório. Sem dúvida uma cerveja de grande envergadura.

A comparação entre uma cerveja bock e uma doppelbock foi proposital. A intenção do post foi mostrar duas grandes representantes desses dois estilos, praticamente únicas em suas “legislaturas”… infelizmente temos pouquíssimos exemplares de bocks e doppelbocks, e a melhor de todas, a Spaten Optimator, não está sendo comercializada mais no Brasil. Hoje, a melhor cerveja do estilo (e talvez a melhor cerveja artesanal do país) é a Thor, doppelbock produzida pelo nosso amigo homebrewer Leonardo Botto. Essa merece um post à parte, mas somente quando eu receber pelo menos um exemplar na minha casa para a devida resenha (entendeu a indireta, Dr. Botto?)

Ouvindo: Venom – Countess Bathory

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