Entradas do Julho 2009

CERVEJAS DE ANIVERSÁRIO: GOUDEN CAROLUS CUVEE VAN DE KEISER BLAUW 2008

Julho 19, 2009 · 1 Comentário

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Carlos V, nascido em 1500 na região de Flandres, Bélgica, foi Rei da Espanha e Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Da casa dos Habsburgo, acumulou vários títulos de nobreza, tornando-se o principal governante de sua época. Teve como principais adversários o Rei Francisco I da França, os papas Leão X e Clemente VII, os luteranos e os turcos. Devido a essas oposições, não conseguiu realizar seu sonho de criar um império cristão unificado. Apesar de importante principalmente para a Espanha, teve sua vida sempre ligada à Bélgica, tendo inclusive transferido no fim da vida o governo espanhol para seu filho Felipe após reunir os Estados Gerais dos Países Baixos em Bruxelas, em 1555.

A tradicional, famosa e importante Brouwerij (cervejaria) Het Anker (“A Âncora”, em holandês), de Mechelen, cidade de Flandres, batizou suas cervejas de Gouden Carolus, ou “Golden Charles“, referência a Carlos V, que cresceu na região. A Gouden Carolus Cuvee Van de Keiser é uma cerveja que homenageia o imperador Carlos V mais diretamente ainda, por ser chamada de a “Grand Cru do Imperador”, e ser produzida em quantidade limitada apenas no dia de seu nascimento, 24 de fevereiro. Trata-se de uma ale desenvolvida a partir da já impressionante Gouden Carolus Classic, porém o resultado final é completamente distinto.

gouden carolus cuvee van de keiser blauw 2008 1a

Esta da foto é uma representante da safra 2008, que apresentou cor marrom com reflexos rubi intensos, espuma bem morena e abundante e turbidez considerável. Porém, na boca e nariz, o que mais impressionou, mais do que as notas de frutas escuras maduras (passas, ameixas, tâmaras) , cerejas e de chocolate, foi a incrível semelhança com os vinhos do Porto. Seu caráter licoroso, alcoólico (o teor alcoólico é de 11%,e muito disso aparece no nariz e na boca) e de aromas e sabores muito próximos a uva fez com que a associação fosse imediata. A complexidade e a intensidade dessa cerveja são incríveis, fazendo com que seja imperativo acompanhá-la com pratos à altura, intensos e especiais (um cordeiro ao molho dessas frutas, ou sobremesas de chocolate intenso com frutas vermelhas e/ou licor). É ainda uma cerveja de guarda, podendo ser estocada por 10 anos (acredito que, com esse envelhecimento, ela fique ainda mais licorosa e semelhante aos vinhos do Porto). Uma cerveja que, quem bebe, dificilmente esquece.

Ouvindo: Megadeth – Kill The King

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INGLESAS PT. 1

Julho 15, 2009 · 3 Comentários

Olá pessoal!

Neste último mês não houve tempo para postar nenhuma novidade por aqui, mas pelo menos tive tempo para degustar algumas novidades (porque ninguém é de ferro) e, junto com as últimas cervejas que deixei de resenhar, o resultado foi que muito material ficou acumulado nesse meio-tempo. Agora que consegui duas semaninhas de descanso, espero poder me redimir e colocar este bom e velho espaço em dia!

Primeiramente podemos começar com algumas novidades da escola inglesa que andei degustando. Ei-las:

MARSTON’S PEDIGREE

marston's pedigree 1a

Esta é uma das pale ales inglesas que eu mais esperava para colocar as mãos (e a boca, nariz…), pelo simples fato de que ela faz parte da minha memorabilia cervejeira há tempos (ela é um dos rótulos que eu tenho no meu “beerware” há um bom tempo…). Quando ela chegou por aqui, não me aguentei de vontade e fui correndo comprá-la…

Trata-se de uma pale ale convencional, no bom sentido. Ou seja, é exatamente o que você espera de uma pale ale inglesa, com apenas uma ressalva: é pouco lupulada. Sim, o lúpulo fica devendo tanto em aroma quanto em amargor… em aparência, ela revela cor âmbar, translúcida, espuma bacana; aroma de malte intenso, bastante intenso, com notas de caramelo e madeira; e o sabor é de malte também, já que os lúpulos ficam em segundo plano. Trocando em miúdos: uma boa escolha para iniciar aqueles que tem medo de cerveja amarga no mundo das inglesas…

BATEMANS XXXB

Batemans XXXB 1a

Uma pale ale/extra special bitter com mais cara de ESB. A aparência já evidencia isso: a cor é um castanho avermelhado, espuma morena, de densidade típica do estilo. O aroma predominante vem dos maltes, mas aqui o lúpulo se mostra presente, chegando a ser um pouco picante. Na boca, os sabores predominantes também vêm dos maltes, com notas picantes e de madeira em sequência. É mais densa e viscosa, como as cervejas inglesas de maior estrutura, que remete a estilos mais intensos como as old e strong ales, mas ainda é pouco complexa se comparada com outras cerveja do estilo.

FULLER’S INDIA PALE ALE

fuller's IPA 1a

Já está ficando chato, para ser sincero. O fato é que as cervejas da Fuller’s são estupendas e eu confirmo isso a cada garrafa e a cada lançamento. Hoje é, de fato, a minha cervejaria inglesa favorita. O foco da IPA deles é o atual entendimento do estilo pelos ingleses: pale ales lupuladas porém mais leves, sem IBUs estratosféricos ou teores alcoólicos muito acima da média. Como se pode ler no rótulo, a intenção é oferecer uma cerveja refrescante, de boa drinkability, sem abandonar as características típicas do estilo. E, para uma cerveja refrescante, quanto caráter!

Cor castanho-claro, carbonatação média e espuma de média persistência, abundância e densidade.  Aromas de maltes e lúpulo Goldings equilbrados. Na boca, se revela macia, arredondada, maturada (é refermentada na garrafa, seguindo o tradicional processo de “bottle conditioning” de tantas cervejas inglesas), revelando um leve dulçor (caramelo) e um final lupulado, de amargor persistente, muito agradável. O corpo é leve e o álcool, pouco evidente (o teor alcoólico é de 5,3%), ajudando no objetivo da boa drinkability. Para quem procura IPAs intensas, avermelhadas, maltadas e com muito, muito lúpulo nos aromas e sabores, não recomendaria a Fuller’s como primeira opção. Talvez uma Meantime seria uma escolha mais precisa. Mas para quem quer apenas uma cerveja inglesa lupulada absolutamente agradável, até mesmo fácil de beber, eu não teria melhor indicação.

Aguardem uma segunda parte deste especial (até uma terceira, quarta, quem sabe?), pois pintaram várias novidades inglesas em terra brasilis, thanks Lord… Que venham muitas mais!

Ouvindo – Pink Floyd – Echoes

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PRIMÁTOR EXKLUZIV 16%

Julho 14, 2009 · 1 Comentário

primátor exkluziv 16 1a

A Pivovar Náchod, cervejaria tcheca fundada em 1872 na cidade de mesmo nome, próxima da Polônia, produz uma considerável variedade de cervejas, a maioria lagers. Entre as mais premiadas e elogiadas, senão a mais, está a Exkluziv 16%, uma autêntica maibock, ou helles bock, estilo de cerveja originalmente produzido pela escola alemã, associado às festividades da primavera, que ocorrem principalmente no mês de Maio. Possuem as características típicas das bocks (sobretudo picante e alcoólica), sendo porém mais claras do que as bocks tradicionais (helles, em alemão, quer dizer “claro, pálido”). Em contrapartida, geralmente costumam ser mais secas e lupuladas.

A Primátor Exkluziv 16% apresenta maravilhosa cor laranja escuro/âmbar, sem turbidez, com carbonatação intensa e espuma clara, persistente e densa. Possui aroma adocicado, de malte e de lúpulos florais e picantes; sabor de malte (da Morávia) intenso, lupulagem evidente, mas que não chega a ser intensa ou muito duradoura, e final adocicado e lupulado, seguido de um ligeiro aquecimento proveniente do álcool (o teor alcoólico é de 7,5%). É um excelente exemplar do estilo, e pode-se dizer que é uma das melhores cervejas da escola alemã disponíveis hoje no Brasil. Cerveja deliciosa.

Ouvindo: Paul McCartney & Eric Clapton – While My Guitar Gently Weeps (Concert for George Harrison)

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