
Para a imensa felicidade nossa, a escola belga tem ganho cada vez mais representantes feitas em terras brasileiras. A Eisenbahn lançou sua pale ale belga, sua strong golden ale, christmas ale (Weihnachts Ale) e sua bière de champagne, a Lust, além da strong dark ale Dama do Lago, do amigo Leonardo Botto. A Baden Baden tem sua tripel edição limitada. A Wäls, que recentemente lançou a deliciosa pilsen de alta drinkability Wäls X-Light (motivo de um próximo post por aqui), produz estupendas dubbel e tripel. A Falke produz a não menos estupenda Monasterium, que dispensa apresentações. A Biertruppe lançou a Saint Nicholas, blonde cheia de caráter e personalidade. A DaDo Bier produz a excelente Belgian Ale. Além, é claro, de várias belgas produzidas pelos homebrewers (inclusive uma tal de Hercule, edição limitadíssima, infelizmente…) Mesmo assim, ainda acho que são poucas representantes, perto do que a escola belga nos oferece. Ou seja, ainda há espaço pra muitas belgas made in Brazil…
A boa notícia é que a Backer também está com uma novidade de peso: a Medieval, uma blonde tipicamente belga desenvolvida por ninguém menos que o mestre Paulo Schiaveto. Pude experimentá-la pela primeira vez no ano passado, no Minas Bier Fest, ainda na fase de desenvolvimento, o que me fez esperar por ela ansiosamente todo este tempo. Presente agora na Expo Cachaça, degustei a Medieval já em sua versão definitiva, que agora está ganhando o mercado. Trata-se de uma blonde filtrada com um aroma frutado e de fermento belga tão típicos que te faz pensar se ela não foi produzida em Bruxelas, Antuérpia ou Mechelen.
No copo, é acobreada, translúcida e de espuma abundante. Os aromas de malte, especiarias, cravo, canela, laranja, frutados, adocicados e de fermento são resultado dos maltes, lúpulos e cepas de fermento utilizados. Na boca, revelam-se os sabores dos maltes e lúpulos. Apresenta um dulçor predominante, bom corpo e álcool sutil; e residual doce com posterior aquecimento vindo do álcool, cujo teor é de 6,7%. Saborosa e fácil de beber, ou seja, perigosa…
Merece destaque não só o líquido, mas também todo o projeto de design do produto. Embalada numa garrafa marrom jateada, com tampa decorada por um símbolo rúnico e vedada com cera vermelha, e rótulo simulando um papiro, com vários símbolos distribuídos (luas e estrelas prateadas e runas), arrematado por um adesivo que simula um selo de cera vermelha, a apresentação é uma das mais bonitas do universo cervejeiro, que transmite de fato um ar antigo, medieval. Proporcional ao cuidado com que a receita foi desenvolvida, com certeza.
Ouvindo: Buddy Guy – Damn Right I’ve Got The Blues
