Olá pessoal! Após um longo período de férias, estou de volta, cheio de cervejas degustadas para serem comentadas por aqui! Passei uns dias em Fortaleza, e por lá me encontrei com o xará Rodrigo Campos, do blog Para Que Vocerveja (http://paraquevocerveja.blogspot.com), e juntos degustamos essas duas jóias. Lá no blog dele você pode conferir a descrição completa do estilo lambic, além da degustação das Falkes Ouro Preto e Estrada Real e ainda da Duvel.
As lambics são cervejas únicas, em todos os sentidos. Desde seu sistema de fermentação espontânea, passando pelo uso do lúpulo velho com fins conservativos e o envelhecimento em barris de carvalho, até a eventual adição de frutas in natura, nada é convencional nesse tipo de cerveja. Nem o sabor e os aromas.

A Brasserie Cantillon é uma das principais cervejarias produtoras do estilo, produzindo Gueuze (blend de lambics de idades e perfis diferentes), Kriek (lambic de cereja), Rosé de Gambrinus (lambic de framboesa), Grand Cru Bruocsella (lambic envelhecida 3 anos em barris de carvalho), Iris (lambic 100% malte, com lúpulo fresco e envelhecido), Vigneronne (lambic de uvas moscatel), Saint Lamvinus (lambic de uvas tintas), Fou’Fonne (lambic de damasco) e as Lou Pepe, que são lambics com maior quantidade de fruta, e cuja segunda fermentação não é dada pela adição de lambics novas, mas por xarope, o que intensifica o sabor da fruta, além do acondicionamento em barris de vinhos da região de Bordeaux.

A Lou Pepe que degustamos foi uma Kriek, safra 2002. Logo de cara, o aspecto e os aromas impressionaram muito. A cor avermelhada, a perlage e a turbidez são muito marcantes, tornando a aparência única. Fiquei inebriado pelos aromas: ácido, vinagre, sal, acidez de cerejas… o aroma de cerejas era muito intenso, muito bom… já no sabor, a acidez era tamanha que não consegui degustar mais do que uma taça e meia. Essa acidez extrema a torna uma cerveja bastante polêmica, difícil de ser apreciada de cara. É definitivamente uma cerveja para ser harmonizada, e não degustada sozinha. Uma das cervejas de maior personalidade que já degustei.

Uma cerveja mais acessível, apesar do teor alcoólico muito superior (14%, contra os 5% da Lou Pepe) é a Baden Baden Tripel. Lançada ano passado como edição especial, em caixa e garrafa swing top luxuosíssimos, a tripel da Baden apresentou cor cobre/âmbar escuro, aromas de malte, mel, caramelo; adocicado, licoroso e alcoólico e sabores de malte, especiarias (cravo, canela), frutado, licoroso e alcoólico, dulçor notável e residual doce, além de pouco corpo. Segundo a Baden, ela é tripel pela tripla fermentação (o que permite os 14% de álcool). De fato, em termos de perfil de aromas e sabores, ela lembra muito mais strong lagers como a Samichlaus ou malt liquors do que as tradicionais tripels belgas, com seu perfil frutado e fenólico. O que não faz da Baden Baden Tripel uma cerveja ruim, muito pelo contrário. É uma cerveja de degustação muito prazerosa, e, ainda que o residual doce seja considerável, ele não chega a incomodar. Excelente para se harmonizar com sobremesas onde o caramelo e/ou cravo e canela sejam protagonistas.
Aproveito para deixar aqui meu abraço ao amigo Rodrigo, pela acolhida, bom papo e boas cervejas durante minha estada em Fortaleza. A cerveja realmente tem o poder de fazer bons amigos! Grande abraço, xará! Valeu!
Ouvindo: Jack Johnson – Good People