Entradas do Janeiro 2009

LEFFE BLOND, ST-FEUILLIEN BLONDE E MAREDSOUS 6

Janeiro 29, 2009 · 2 Comentários

Este post é sobre um estilo absolutamente delicioso: as blondes belgas. Cervejas de alta fermentação que guardam semelhanças com as tripels e belgian strong golden ales, são cervejas versáteis, que oferecem as características sedutoras da escola belga sem assustar muito aqueles que não estão acostumados com cervejas muito alcoólicas, fenólicas ou ácidas. Uma blonde autêntica apresenta aromas frutados e complexos, dulçor suave de malte, final seco, lupulagem e sensação alcoólica sutis e espuma densa e abundante. Não levam nas receitas os temperos usados nas tripels (cascas de laranja, sementes de coentro, etc), mas a atuação do fermento faz com que muitas vezes esses ingredientes pareçam ser utilizados.

Aqui, três representantes desse estilo tão satisfatório para quem gosta de beber cervejas belgas com maior frequência do que os estilos mais fortes (e caros) permitem.

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A Leffe Blond é a blonde mais famosa e consumida no mundo. Possui algumas características mais comerciais (é filtrada, por exemplo), mas ainda possui um perfil interessante: cor dourado bem escuro, translúcido, aromas  bem adocicados de malte, mel, canela, especiarias e frutas. O sabor é um equilíbrio entre o dulçor inicial, a lupulagem perceptível e o final seco.  O  álcool (6,6%) é discreto. É uma  boa dose belga para o dia-a-dia.

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A Maredsous 6 apresentou uma cor mais escura do que o normal, acobreada, turva, e espuma densa, abundante e persistente. No aroma, se destacaram o malte, especiarias, fermento, coentro e um certo picante, lembrando gengibre. O sabor é de malte, especiarias, a lupulagem é suave, equilibrada, e acidez e álcool são perceptíveis, apesar de ter apenas 6% de teor alcoólico.

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A St-Feuillien Blonde é uma blonde muito próxima das tripels. A cor é um dourado claro, turvo, e a espuma é muito abundante, densa e persistente. Os aromas são de laranja curaçao, sementes de coentro, lembrando witbiers; e álcool, e o sabor revela malte, especiarias, acidez, frutados e uma lupulagem interessante, tudo muito equilibrado e saboroso. A carbonatação é intensa, perceptível ainda no exame visual, logo quando é servida. O efeito do fermento nessa cerveja é muito forte, o que, aliado ao teor alcoólico de 7,5%, a aproxima ainda mais das tripels. É minha favorita das três, uma cerveja de muito respeito.

Ouvindo: INXS – Suicide Blonde

P.S: Amanhã, quinta-feira, tem Curso de Cerveja no Frei Tuck, ministrado por este que vos fala. Quem for de Belo Horizonte, não perca a oportunidade! Abraços e §11!

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FALKE OURO PRETO

Janeiro 19, 2009 · 2 Comentários

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E o chope preferido das alterosas finalmente chegou à versão garrafa, para todo o país!

De todas as cervejas on tap produzidas em Minas, o Falke Ouro Preto sempre foi a mais apreciada e comentada. Muitos o classificam como o melhor exemplar de schwarzbier feito no país. Sua espuma densa e sua torrefação intensa, com notas de café bem evidentes, arrebatou vários fãs ao longo desse tempo. E agora, engarrafado, pode ser levado para longe, e cervejeiros de todo o país podem desfrutar do que a gente vinha se deliciando a um bom tempo…

A primeira vez que bebi o Ouro Preto foi em uma das primeiras vezes que fui ao Frei Tuck. Por sorte ou incrível coincidência, vários nacos de queijo gorgonzola deitavam-se preguiçosos num prato à minha frente. Quando o chope chegou e o levei até o nariz, fiquei arrepiado de sentir o aroma. Aquelas notas de torrefação, lembrando café, me impressionaram pela intensidade. Que aroma memorável! Sorvi o líquido com sofreguidão e atenção e , instintivamente, levei um naco de gorgonzola à boca. Pronto, nascia uma das harmonizações que classifico como imbatíveis e que, ainda hoje, é uma das minhas preferidas.

Com o lançamento do Ouro Preto em garrafa, a curiosidade de conhecer a  nova versão foi automática. Estava curioso para saber como seria a adaptação para a garrafa, e quais seriam as mudanças no resultado final. Fiquei feliz ao comprovar que a versão em garrafa é muito próxima do chope.  A espuma, obviamente, não tem o mesmo efeito (o chope é nitrogenado), mas ainda é bem abundante e persistente para uma lager. A cor é preto quase absoluto. O aroma intenso do malte torrado na própria cervejaria é único, com notas de café e chocolate amargo. O sabor é predominantemente de malte e torrefação, o corpo médio e a drinkability é alta para o estilo.

Agora tenho Ouro Preto para levar pra casa dos meus pais, pra casa do sogro, pr’aquele churrasco regado à cerveja ruim, etc… Fica aqui, portanto, a sugestão: para acompanhar, você já sabe… aquele queijinho cheio de fungos azuis…

Ouvindo: Black Sabbath – N.I.B.

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HARVIESTOUN OLD ENGINE OIL

Janeiro 13, 2009 · 1 Comentário

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A cervejaria escocesa Harviestoun é administrada com muito senso de humor e falta de modéstia. Eles não cansam de repetir em seu site (http://www.harviestoun.com) que fazem cerveja bem pra caramba e coisas do gênero. Também adotaram como mascote um rato, Harvie, em alusão à predileção deles por queijo combinado com cerveja (vício do qual eu comungo), e escolhem nomes e descrevem coisas com fino senso de humor e informalidade. E fizeram uma cerveja em menção à antiga profissão de seu mestre-cervejeiro original, a de designer de protótipos de madeira para a Ford. Ou seja, devem ser figuras muito interessantes de se conhecer.
A Old Engine Oil apresenta, além do nome sugestivo (nos rótulos ainda vem a adjetivação “Viscous, Chocolatey and Bitter” e o slogan “Unusual name, unusual beer”), um perfil muito interessante. Trata-se de uma oatmeal stout de 6,0%, estilo que recebe a adição de aveia na receita, além dos maltes torrados. A cor é preto quase absoluto, com reflexos rubi, e a espuma, morena, é densa e abundante.
O aroma é exatamente de chocolate meio amargo. É a cerveja que eu conheço de maior similaridade com esse aroma. A associação é imediata,  ou seja, ela realmente faz jus ao adjetivo “chocolatey“. Desnecessário dizer que utilizei um chocolate meio amargo (sabor capuccino) para acompanhar.
Na boca, apresenta o torrado, o amargor da torrefação e da lupulagem, (galena, fuggles e kent goldings), acidez controlada (muito importante em cervejas de muito malte torrado) e corpo denso, “viscoso”, devido à adição da aveia. Em aparência e viscosidade, lembra realmente o “óleo de motor velho”. Em suma, uma ótima stout.

Em breve, publicarei a resenha das outras duas cervejas da Harviestoun aqui, a Schiehallion e a Bitter and Twisted. Aí vocês poderão comprovar se todos os auto-elogios não são mera bravata…

Ouvindo: Marillion – Heart Of Lothian

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MEANTIME IPA

Janeiro 8, 2009 · 6 Comentários

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A Meantime é uma cervejaria londrina que se localiza praticamente no meridiano de Greenwich, e que produz uma variada gama de estilos de cerveja, aventurando-se não só nos estilos ingleses como também nos das escolas alemã e belga. De seu amplo portifólio, chegaram ao Brasil as cervejas India Pale Ale, London Porter, Wheat e Union, uma vienna lager da qual comentarei aqui futuramente. Porém a mais comentada, e carro-chefe da cervejaria é a India Pale Ale, belissimamente acondicionada numa garrafa de 750ml com rolha e gaiola. Para quem é fã do estilo, acho que é desnecessário dizer que é uma degustação obrigatória, até  mesmo pelo simples fato de que se trata de uma IPA legitimamente inglesa. E, como vocês verão na análise, muito boa.

A Meantime IPA tem cor de mel, caramelo, e é consideravelmente turva, além de ter uma espuma muito densa, abundante e persistente. Os aromas são, como não poderiam deixar de ser, de muito lúpulo (a cervejaria entrega quais são no rótulo: Fuggles e Goldings, por dry hopping) e maltes caramelizados. Equilibrados e deliciosos. Os sabores são de malte, caramelo, mel, lupulagem forte e final seco, onde se nota os efeitos da maturação prolongada e cuidadosa. E o que é mais interessante: mais do que uma bela cerveja, ela mostra que nossas IPAs como a Colorado Indica e a Falke Estrada Real não ficam nada a dever para um exemplar produzido na terra de origem do estilo.

Ouvindo: Dire Straits – Portobello Belle

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