AS MELHORES CERVEJAS DO BRASIL

2008 foi o ano da cerveja artesanal brasileira. Esse ano foi o mais representativo para a cerveja no Brasil, tanto em quantidade como na qualidade dos lançamentos. As cervejas lançadas em 2008 vêm para consolidar de vez nossa cultura e mercado cervejeiros,preparando o terreno para 2009, que será, sem dúvida alguma, um  ano de grande crescimento para a nossa cultura cervejeira. Já posso adiantar alguns lançamentos, como a Medieval, blond belga da Backer, e a Falke Ouro Preto em garrafa para todo o Brasil, além da Saint Nicholas, blond da BierTruppe (Alexandre da Cervejaria Bamberg, Leonardo Botto e Edu Passarelli, responsáveis pela Tcheca), feita no dia de São Nicolau (o Papai Noel)  que já chegou nas lojas.

Abaixo, uma seleção de algumas das cervejas brazucas preferidas deste escriba, lançadas em 2008 ou produzidas há mais tempo… E você, quais são suas favoritas?

Pilsens:

Esta categoria não será exatamente contemplada agora, por um único motivo: farei um teste com as principais “pilsens” premium brasileiras e elegerei as melhores, num post, num futuro bastante próximo. Aguardem portanto… mas já posso adiantar alguns rótulos: Eisenbahn Pilsen, Bamberg Pilsen, Mistura Clássica Premium, etc..

Lagers para quem gosta de muito malte:

Eisenbahn Oktoberfest

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A versão da Eisenbahn para o clássico estilo märzen-oktoberfest foi mais do que oportuna, considerando-se o fato de que ela é a principal cervejaria da cidade que abriga a versão brasileira da festa que inspirou o estilo. Como eu costumava brincar, “demorou para que ela tivesse essa idéia”.

O estilo nasceu do expediente de se fazer cervejas mais fortes em março (primavera na Alemanha), e estocá-las durante o verão em caves sob as montanhas, para que a baixa temperatura as conservasse. Com isso, passado o verão, as cervejas podiam ser consumidas nos meses de setembro e outubro, coincidindo com a festa.

A versão da Eisenbahn traz cor dourada escura, de reflexos alaranjados/acobreados, espuma clara e muito aroma de malte, ligeiramente caramelizado e adocicado, presença essa que continua no sabor, que mata a sede de malte de qualquer um. Mas todo esse malte é muito bem equilibrado por uma bela lupulagem, o que não deixa a cerveja adocicada demais e, por consequência, enjoativa. Bela versão da Eisenbahn, que se alinha aos melhores exemplares alemães.

Falke Red Baron

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Disponível apenas na versão chope, a vienna lager da Falke é  perfeita para quem gosta de cervejas com dose de malte na medida. Feita com maltes tratados na própria cervejaria, tem uma belíssima cor castanho-avermelhada (daí o nome), espuma de incrível densidade, cremosidade e persistência, lupulagem discreta e um evidente e muito saboroso perfil de maltes. Por enquanto só é disponível em terras mineiras (Belo Horizonte e Ouro Preto, principalmente)…

Bamberg Bock

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Como o primeiro estilo a ganhar notoriedade no país além das “pilsens”, malzbiers e “stouts”, não poderíamos deixar de ter boas representantes dele por aqui. E a melhor representante do estilo atualmente é a Bamberg Bock, uma cerveja de 6,5%, com a velha e boa cor castanho-avermelhada, aromas de malte tostado, caramelo e um considerável defumado/picante e sabores de malte, torrado, amargor de lúpulo persistente, final seco e retrogosto intenso. Bela representante do estilo.

Lagers para quem gosta de muito lúpulo:

Eisenbahn 5

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Uma vienna lager com dry hopping (técnica que consiste em introduzir lúpulo após o fim do processo de fervura, geralmente quando a cerveja está fermentando) para comemorar os 5 anos de sucesso da cervejaria… e o que era para ser uma cerveja comemorativa, feita apenas uma vez, se tornou cerveja de linha, obrigatória, dada a quantidade de fãs que conquistou… a Eisenbahn 5 tem um belo perfil de malte, mas impressiona mais ainda pela lupulagem assertiva, que faz a cerveja ter um perfil de lúpulo forte tanto no aroma quanto no sabor.

Tcheca

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A “conspiração” dos cervejeiros Alexandre Bazzo (Cervejaria Bamberg), Leonardo Botto e Edu Passarelli para fazer uma pilsen de verdade resultou na Tcheca, que, como o próprio nome evidencia, é uma bohemian pilsen com generosas doses de malte e lúpulo, que fica a quilômetros de distância do que se convencionou a chamar de “pilsen” por aqui…

Wäls Pilsen

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A pilsen tcheca da Wäls é um prato cheio não só para quem gosta de  muito lúpulo, como também de muito malte. Cor dourado escuro, generosas doses de malte para segurar a lupulagem assertiva, forte, persistente, porém fina.

Ales para quem gosta de muito malte:

Bamberg Altbier

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O Brasil ganhou recentemente uma representante deste estilo típico da cidade de Düsseldorf, Alemanha, e somente isso já seria motivo a ser comemorado. Porém a altbier da Bamberg é uma otima representante, de cor marrom como mogno, translúcida, aromas de malte, caramelo, tostado, um leve picante, cravo, avelãs, nozes, corpo médio, final seco e amargor suave, e alta drinkability. Não teria nenhum problema em tomar generosas quantidades dela o dia todo…

Schmitt Barley Wine

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Essa cerveja já se tornou uma lenda, goza hoje de enorme e sólida reputação no nosso meio cervejeiro, e não é pra menos. Cerveja muito bem feita, com quantidades pra lá de generosas de malte, perfil levemente adocicado e teor alcoólico de 8,5%, lupulagem na medida, é uma das melhores opções para se degustar principalmente quando vem aquele friozinho, dado o tanto que ela aquece, ou com pratos intensos, fortes, temperados…

Ales para quem gosta de muito lúpulo:

Baden Baden Red Ale

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Essa talvez seja a Baden preferida da maioria dos cervejeiros, dada as generosas quantidades de maltes torrados e lúpulos que ela carrega. É uma cerveja intensa em tudo, inclusive no respeitável teor alcoólico de 9,2%, um dos maiores entre as cervejas brasileiras comerciais. É uma cerveja que pede quase que desesperadamente carnes vermelhas intensas, como um bom bife de chorizo mal passado, ou queijos intensos como o gorgonzola, roquefort ou grana padano.

Colorado Indica

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Outra cerveja de enorme reputação e destaque, praticamente uma unanimidade.  A Indica é uma deliciosa India Pale Ale (estilo de cerveja que o Império Britânico mandava às tropas que estavam colonizando a Índia, e que para aguentar a enorme viagem de navio, eram alcoólicas e recebiam generosas quantidades de lúpulo), ideal para quem é fã da escola inglesa e seu célebre perfil de maltes caramelizados (caráter aqui reforçado pelo uso da rapadura, ingrediente tipicamente brasileiro) e lupulagem notável. Deliciosa.

Falke Estrada Real IPA

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Essa provavelmente é novidade para muitos, mas está chegando no mercado agora. A IPA da Falke virou produto certificado pelo Instituto Estrada Real, e a escolha do estilo nasceu de uma interessante analogia, de que se o Brasil tivesse sido colonizado pelos ingleses, este seria o estilo de cerveja mandado pelo Império Britânico para terras mineiras e fluminenses na época do Ciclo do Ouro, a exemplo do que aconteceu na Índia. E a cerveja resultante dessa ótima analogia é uma IPA de muita presença de maltes (torrados na própria cervejaria) e lupulagem consistente, intensa, com o DNA nítido da Falke. Ou seja, mais uma excelente cerveja da grande Falke Bier.

Cervejas para quem gosta de maltes torrados:

Colorado Demoiselle

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Já intensamente comentada por aqui, a Porter com café da Colorado, receita nascida da parceira da cervejaria com o Ricardo Rosa, é um dos melhores lançamentos de 2008. Na minha opinião é a melhor representante dos estilos porter/stout feita atualmente no Brasil. Equilibradíssima, aromas de chocolate amargo, café, maltes torrados, encorpada, densa e cremosa. Uma delícia.

Ales belgas:

Wäls Dubbel

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A dubbel da Wäls puxou a linha de belgas especiais da cervejaria, e deu o pontapé inicial com muita classe. Dubbel de perfil de maltes torrados bem notável, é complexa, equilibrada, muito bem feita e muito saborosa. Além da apresentação impecável, numa das mais belas garrafas do mercado. Experimente com uma costela bovina ao molho de jabuticaba e depois me conte…

Wäls Trippel

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A Wäls, não satisfeita em lançar a dubbel, lançou também a tripel e ainda lançará a quadrupel (!!!), percorrendo assim quase todos os estilos de abadia belgas mais clássicos. Sua tripel é do tipo cítrica, alcoólica, com aromas de frutas amarelas e fermento. Me agradou em cheio.

Falke Monasterium

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Esta é velha conhecida, e acho que dispensa maiores apresentações. A tripel da Falke é uma cerveja feita com todo o esmero possível, tendo recebido uma cave para maturação exclusiva. Tem perfil cítrico e fenólico, à exemplo das representantes mais conhecidas do estilo. Uma cerveja especial em todos os sentidos da palavra.

Que venha então 2009 com muito mais cerveja boa para somar !

Ouvindo: Deep Purple – Pictures of Home

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