Entradas do Novembro 2008

BEER NEWS – CERVEJAS BRASILEIRAS PREMIADAS NO EUROPEAN BEER STAR 2008

Novembro 22, 2008 · Deixe um comentário

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A edição deste ano do concurso European Beer Star foi generosa com as cervejas brasileiras. O prêmio, criado há 5 anos pelas Associações das Cervejarias Privadas Alemãs, Cervejarias Privadas Bávaras e Cervejarias Européias Independentes e de Pequeno Porte, é aberto a cervejarias do mundo todo, e procura reconhecer aquelas que se destacam pela autenticidade, qualidade e fidelidade ao estilo.

Na edição do ano passado, nossas cervejas Eisenbahn Dunkel e Weizenbock já haviam ganho medalhas de bronze nas categorias German-Style Schwarzbier e South German-Style Weizenbock Dark, consolidando um processo de “descoberta” das cervejas brasileiras de qualidade pelo meio cervejeiro mundial. Este ano, as premiadas foram nada menos do que quatro cervejas: a Eisenbahn abocanhou mais duas medalhas de bronze, com sua Pilsen na categoria Mild Beer, a Dunkel ganhou novamente o bronze na categoria German-Style Schwarzbier, e duas cervejas ganharam nada menos que as medalhas de ouro: a Baden Baden na categoria Dry Stout e a Colorado Demoiselle na categoria Porter. Além de serem prêmios superlativos por si sós, a premiação veio com um certo sabor de vingança, por causa da celeuma criada em torno de uma suposta declaração que o mestre-cervejeiro da Guinness, Fergal Murray, teria dado recentemente, em visita ao Brasil, a respeito da Colorado Demoiselle, uma porter que leva grãos torrados de café em sua receita, de que ela não passaria de “café, gelo e álcool”. A crítica pouco elogiosa e polida gerou um desconforto geral na comunidade cervejeira brasileira, a ponto do próprio Marcelo Carneiro, dono da Cervejaria, publicar um manifesto contra a falta de elegância do irlandês, inclusive com uma divertida paródia do samba de Noel Rosa, “Palpite Infeliz”.

Com a premiação do European Beer Star deste ano, a Guinness teria, pelo menos teoricamente, engolido sapo duas vezes. Uma pelo fato da Baden Baden ter ganho ouro na categoria Dry Stout, que seria a categoria da Guinness, e outra pelo fato da própria Colorado Demoiselle ter sido eleita a melhor porter do mundo. Para quem era apenas “café, gelo e álcool”, nada mau, não é mesmo?

Enfim, no final das contas, algumas conclusões podem ser tiradas destes episódios. A primeira é que é triste ver esse tipo de crítica acontecer, mesmo porque a Guinness não precisa disto. É uma cerveja de qualidade, reconhecida mundialmente como ícone, e que tem seu espaço no nosso imaginário e nas nossas geladeiras. Sou fã especialmente da Guinness Export, “a do rótulo amarelo”, que é seguramente uma das melhores stouts do mundo. Inclusive, publicarei aqui um “embate” entre ela e a campeã Baden Baden Stout, não com o intuito de eleger a melhor, mas de evidenciar as qualidades de cada uma delas. Aguardem, pois será muito interessante.

E também chegamos à conclusão principal de que a cerveja brasileira está ganhando cada vez mais terreno e sendo cada vez mais, merecidamente, reconhecida. O que está se desenhando são os contornos de uma nova escola cervejeira, a brasileira. Acredito que este seja o sonho maior de todos que procuram fazer cerveja de qualidade no Brasil. É meu sonho também, e acredito que estamos vendo ele se concretizar. Por isso, não tenho outra alternativa a não ser erguer um brinde à nova escola, às cervejas brasileiras, à cultura cervejeira brasileira, ao Ricardo Rosa, autor da receita da Colorado Demoiselle, ao Marcelo Carneiro, dono da Colorado, ao Juliano Mendes, da Eisenbahn-Schin e à própria Schincariol, por ter reconhecido o potencial de cervejarias como as próprias Eisenbahn e Baden Baden, e que agora colhem os louros da vitória. Parabéns a todos, e um brinde!

Ein prosit!!!

Ouvindo: Eric Clapton – Sunshine Of Your Love

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BEER NEWS – SUPER CHEF

Novembro 18, 2008 · Deixe um comentário

Nos posts de 20 de junho e 2 de julho, descrevo o evento que promovemos no Haus München, uma degustação de cervejas artesanais feitas pelos homebrewers mineiros, cervejas internacionais consagradas e pratos especialmente elaborados para harmonizar com as características de cada cerveja. A criação dos pratos ficou a cargo de três jovens chefs, Henrique Gilberto, Leandro Pimenta e Adriano Santos. Trio talentosíssimo, criativo, empenhado, interessado e incansável. O resultado foi verdadeiramente memorável.

Qual não foi minha surpresa ao descobrir há algum tempo que o Henrique estava participando do reality show “Super Chef”, dentro do programa da Ana Maria Braga, onde 14 jovens chefs de cozinha disputavam entre si o posto de melhor chef. Logo pensei: “o Henrique vai levar essa parada”. E não deu outra. O cara sagrou-se campeão da competição, embolsando vários prêmios e mobilizando uma audiência que computou aproximadamente 800 mil votos!

Enfim, é muito bom ver amigos fazendo sucesso (merecido) e sendo reconhecidos por aí. Parabéns Henrique, e que a gente possa armar mais harmonizações “super” como essa. Ein prosit!

Ouvindo: The Beatles – With A Little Help From My Friends

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ST FEUILLIEN TRIPEL x TRIPEL KARMELIET

Novembro 17, 2008 · Deixe um comentário

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Conhece a expressão “briga de cachorro grande”? Pois ela cabe muito bem para descrever esse “duelo” que eu impus entre duas tripels belgas de altíssimo quilate. De um lado, uma das cervejas mais lendárias e famosas da Bélgica, a Tripel Karmeliet. Fabricada pela Brouwerij Bosteels, datada de 1791, produtora ainda da Pauwel Kwak e da maravilhosa DeuS, a Karmeliet, como o próprio nome indica, é produzida a partir de uma receita original de um mosteiro carmelita de Dendermonde, de 1679, que leva cevada, trigo e aveia (maltados e não maltados), além das boas e velhas cascas de laranja e sementes de coentro, e ainda quatro tipos de lúpulo.

De outro, a St Feuillien Tripel, versão do estilo das geniais cervejas St Feuillien (existem também a Blonde, Brune (dubbel), Cuvèe de Noel e Easter Beer, mas essas serão objeto de um outro texto, muito em breve). A Brasserie St Feuillien é datada de 1873, quando a família Friart resgatou a tradição cervejeira da Abbaye St-Feuillien du Roeulx, fundada em 1125, em homenagem ao monge irlandês Feuillien, missionário que pregava no pais e que foi assassinado na região. Tanto a abadia quanto a cervejaria ficam na cidade de Le Roeulx, próxima a Bruxelas.

A Tripel Karmeliet revela uma cor dourado-escuro, porém é bem turva, e de espuma muito abundante, frisante. No nariz, explosão de aromas: anis, medicinal, especiarias, cítrico (lima), baunilha. É muito perfumada. Na boca, o equilíbrio entre o doce e o ácido, anis, laranja curaçao, e álcool discreto, considerando-se os 8%. Uma cerveja muito equilibrada, aromática, temperada, realmente uma cerveja e tanto.

Já a St Feuillien Tripel revela uma cor mais alaranjada, embora a turbidez seja tão acentuada quanto a da Karmeliet. Espuma ainda mais densa e abundante, aromas medicinais, fenólicos, cítricos, também de anis. A lupulagem é mais evidente. A St Feuillien é mais seca e amarga, e o álcool fica um pouco mais evidente. Sabores e aromas igualmente complexos, de especiarias, temperados. Achei ela ainda melhor do que a Karmeliet, sendo, talvez, a melhor tripel “mais fenólica, medicinal e temperada” que conheço. Porém, na dúvida, prove as duas, e faça o tira-teima.

Ouvindo: The Beatles – You Never Give Your Money

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CURSO DE CERVEJA NO PALADINO

Novembro 14, 2008 · Deixe um comentário

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Para quem estiver em Belo Horizonte, faço o convite para participar do Curso de Cerveja Rodrigo Lemos e Paladino! O curso contempla vários aspectos da cultura cervejeira, como a história da cerveja, noções de composição, ingredientes e fabricação, informações detalhadas sobre as principais escolas e estilos de cerveja, como degustar, servir e apreciar cerveja (análise sensorial) e a degustação de diversos estilos, harmonizados com diversos pratos, preparados pelo próprio Paladino. O curso ainda conta com apostila completa e algumas surpresas…

Maiores informações no tel (31) 3447 6604 ou no site http://www.restaurantepaladino.com.br/

Espero todos vocês! §11!

Ouvindo: The Jimi Hendrix Experience – Purple Haze (live at Monterey ‘67 – R.I.P. Mitch Mitchell)

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MINAS BIER FEST – RESENHA

Novembro 4, 2008 · 2 Comentários

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Um marco na história da cultura cervejeira brasileira. Assim pode ser definido o 1º Minas Bier Fest (sim, primeiro, porque a edição do ano que vem já está sendo pensada e acontecerá, meus amigos, podem ter certeza…)

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Mais de 3 mil pessoas presentes, em 3 dias de evento, puderam apreciar as criações das cervejarias Artesamalt, Áustria, Backer, Brusk, Falke, Trovense e Wäls, além das criações dos homebrewers da ACervA Mineira. Num clima de descontração e confraternização sensacional, todos puderam vivenciar o assunto cerveja com intensidade. Há que se destacar a excelente estrutura do local (o belíssimo Domus XX), a qualidade e eficiência do restaurante Paladino (que além de executar com alta competência os pratos dos menus degustação, disponibilizou acepipes dignos de nota, como o caldo de feijão branco e o simples porém perfeito espetinho de alcatra) e o som da blues band que tocou no sábado – que infelizmente não me recordo o nome… (alguém me ajuda?)

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O fato é que a programação nos permitiu ficar embevecidos com os conhecimentos técnicos da mestra Cilene Saorin e ver a reação do público à exposição de conteúdos trazidos pelo Paulo Schiaveto, Danilo Mendes e pelos pratos e cervejas que o Edu Passarelli e eu escolhemos para deleitá-los. Da minha parte, escolhi como tema as cervejas mineiras com a comida mineira. E o que saiu foi esse cardápio:

- Áustria Weiss com Salada de Folhas Mineiras com Iscas de Aruanã, Manga e Queijo Canastra

- Wäls Bohemian Pilsen com Feijão Tropeiro com Torresmos e Banana-da-Terra

- Falke Estrada Real IPA com Lingüiças Caseiras Paladino flambadas em Falke Estrada Real IPA com Mandioca Cozida com Manteiga de Garrafa

- Wäls Dubbel com Costela de Boi Desfiada com Castanha-do-Pará ao Molho de Jabuticaba

- Falke Monasterium com Lombo Marinado em Frutas Cítricas com Chutney de Abacaxi e Doce de Laranja em Compota

- Backer Porter com Mousse de Chocolate com Doce de Abóbora, Calda de Maracujá e Cereja.

Ficou ótimo (deixando a modéstia um pouco de lado…). Algumas combinações superaram minhas expectativas, inclusive. Gostei da reação do público ao final, principalmente quando pediram para começar tudo de novo, hehe… é muito bom ver o efeito que uma boa combinação de uma cerveja excelente com um prato saboroso causa. Ah se a gente pudesse se alimentar sempre desta maneira…

Mas o destaque do festival foram as cervejarias e suas cervejas. Em especial a Backer, que está com muitas novidades. Uma delas é a cerveja porter, feita a partir da Backer Brown, porém sem aromatização artificial de chocolate. Trata-se de uma autêntica brown porter, cujo chocolate meio amargo vem dos maltes torrados mesmo. Sua pale ale também está reestruturada, com maior aroma de lúpulo, aumentando o sotaque inglês mesmo. Mas o grande lançamento mesmo talvez seja a cerveja Medieval, uma blonde belga deliciosa, desenvolvida pelo mestre Paulo Schiaveto. Não vou antecipar muito não, mas garanto que a cerveja é uma jóia, e a apresentação dela vai chamar muito a atenção. Sou suspeito para falar, porque sou fã declarado desse estilo… Aguardem, portanto, o lançamento…

A Wäls também brilhou ao fazer uma versão “festbier” de sua bohemian pilsen, além de judiar da gente ao levar chopp dubbel e tripel… covardia.

A Falke também está cheia de novidades. O próximo lançamento será a mais do que aguardada Falke Estrada Real IPA, que virá em garrafas de 600ml. Atendendo às preces de fãs de todo o país, virá em garrafas 600ml também a nossa querida Falke Ouro Preto, a melhor schwarzbier de todo o oeste. E tem mais novidades, mas essa eu vou deixar permanecer o mistério por enquanto…

Gostaria, portanto, de agradecer a todos que participaram da degustação, ao Sindbebidas e ao Sebrae MG pelo convite, à Cilene e a AcervA Mineira pelo curso de gestão sensorial, ao Marcelo e o restaurante Paladino pelo apoio e aos amigos pelos momentos agradáveis ao pé da chopeira. Que eventos como esse possam acontecer com muito mais freqüência!

Ouvindo: B.B. King and Eric Clapton – Come Rain Or Come Shine

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