Entradas do Agosto 2008

SPATEN MÜNCHEN

Agosto 19, 2008 · 2 Comentários

A Spaten Münchner Hell ou Premium Lager é a pedra fundamental do estilo munich helles lager. Criada em 1895 na cervejaria Spaten pelo mestre cervejeiro Gabriel Sedlmayr para competir com as pilsens, ela verdadeiramente deu origem ao estilo. Suas diferenças em relação à pilsen são, em resumo, uma maior ênfase ao malte em detrimento do lúpulo. Com isso, o resultado é uma cerveja com aroma e sabor levemente adocicado, de pão ou biscoito, e menor amargor em relação às pilsens.

Esse exemplar degustado se apresentou com cor dourado clara, totalmente filtrada e com intensa carbonatação. Espuma branca abundante, porém pouco densa.

Os aromas adocicados de biscoito cream cracker do malte pilsen dominam, amparados por uma lupulagem discreta (herbal) porém rica, deixando o aroma rico e complexo.

Os sabores são adocicados, de malte pilsen, pão, biscoito; com baixo amargor que fica mais evidente apenas no final e é medianamente persistente.

Em suma: é uma cerveja leve, equilibrada, agradável, de alta drinkability. Possui agradáveis aromas e sabores de malte e lupulagem fina, porém discreta. Uma das melhores cervejas para se tomar em grandes quantidades…

Ouvindo: The Beatles – Norwegian Wood (This Bird Has Flown)

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KAISER BOCK

Agosto 12, 2008 · 6 Comentários

Lançada há 15 anos, em 1993, a Kaiser Bock foi a primeira cerveja diferenciada em muito tempo de mercado. Desde que rótulos como a Brahma Porter pararam de ser fabricados, as únicas opções oferecidas pelo mercado brasileiro eram as cervejas “tipo pilsen”, munich (que de munich dunkel não tinham nada) e as famigeradas malzbiers. Quando a Kaiser Bock apareceu, foi uma grata surpresa e foi muito bem recebida por nós.

Afinal de contas, tratava-se de uma cerveja puro malte, de 7,2% (na época), de cor extremamente bela, e aromas e sabores intensos. Lembro-me que o sucesso de seu lançamento levou as outras cervejarias a lançarem também suas versões, e, em pouco tempo, tínhamos disponíveis nas gôndolas Brahma Bock, Antarctica Bock e Skol Bock. Mas o fato é que a Kaiser Bock sempre foi a mais saborosa e mais bem feita das quatro, e foi a única que permaneceu.

Mas a pouca cultura cervejeira do brasileiro levou a rotular as cervejas bock de “cervejas fortes”, contribuindo para o estereótipo de “cerveja de inverno” (fico imaginando o que seriam então quadrupels, barley wines ou russian imperial stouts…), levando-a a uma produção sazonal (bem sazonal mesmo…), focada na estação mais fria. Mesmo que hoje ela tenha apenas 6,2%, não muito mais do que as “pilsens”. Ainda hoje, um dos conceitos que mais preciso trabalhar com os alunos é o conceito de “cerveja forte”. Forte de aroma, de sabor, amargor, corpo, coloração intensa, teor alcoólico alto ou simplesmente presença de álcool superior, já que uma cerveja pode ser forte em vários aspectos e ao mesmo tempo fraca em outros. Melhor exemplo? A Guinness, com seu aroma intenso de torrefação, café e chocolate amargo e seu baixíssimo corpo.

Após uma safra de 2007 muito “suavizada”, a Kaiser Bock voltou em 2008 com o mesmo teor alcoólico (6,2%), mas com o sabor e o aroma dos velhos tempos. Apresentou aparência âmbar bem avermelhado, translúcida, espuma bege de média densidade e persistente.

Aroma intenso de maltes torrados e tostados, picante, caramelizado, defumado. Sem aromas de lúpulo. Sabores de malte tostado e torrado persistentes, açúcar torrado, final pouco doce, lúpulo apenas equilibrando os maltes. Bom corpo (ao contrário da edição passada) e carbonatação não muito intensa.

Deveria ser produzida o ano todo, aproveitando-se o momento da expansão da cultura cervejeira, e não tão sazonalmente!

Ouvindo: Tankard – 666 Packs

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III CONCURSO NACIONAL DE CERVEJAS ARTESANAIS

Agosto 7, 2008 · 2 Comentários

No dia 30 de agosto, sábado, sediaremos o maior evento cervejeiro do ano. O III Concurso Nacional de Cervejas Artesanais das ACervAs abrigará homebrewers de todo o país e de outros países também! Serão três categorias, representando as três grandes escolas cervejeiras: Weissbier (escola alemã), English IPA (inglesa) e Belgian Strong Ale (belga).

Além disso homenagearemos o saudoso Beer Hunter Michael Jackson (não, não é aquele *), contaremos com inúmeras presenças ilustres (personalidades de peso do mundo da cerveja e da gastronomia) e lançaremos oficialmente o projeto da ACervA Brasileira!

Para se ter uma idéia da extensão da festa, basta dizer que já estão confirmadas a participação das seguintes micro cervejarias, com suas criações disponíveis ao público:

- Ijuhy, Dado Bier, Coruja e Abadessa – Rio Grande do Sul

- Das Bier, Eisenbahn, Bierland, Schornstein, Chopp Ilhéu, Moçambique, Zehn Bier, Wunderbier e Heimat – Santa Catarina

- Bamberg, Baden Baden e Colorado – São Paulo

- Cidade Imperial, Mistura Clássica e Röter – Rio de Janeiro

- Falke Bier, Wäls, Backer, Trovense, Artesamalt e Krug Bier – Minas Gerais

Serão cervejas de todas essas micro cervejarias, dos homebrewers (concorrentes e não concorrentes) e importadas patrocinadoras, além de um almoço tipicamente mineiro!

O local será o Sítio Sossego (http://www.sitiosossego.com.br), um aprazível sítio nas imediações de Belo Horizonte, onde poderemos confraternizar durante toda a tarde de sábado, à beira da piscina. Os ingressos dão direito à livre degustação de todas as cervejas e ao almoço, e são limitados! Está previsto o transporte de vans, para que ninguém se preocupe com a lei seca ou em consumir com moderação! Afinal de contas, é a festa da cerveja artesanal!!!

Esperamos todos lá! Gezondheid!!! §11!!!

(*Obs: Sempre que cito o nome do mestre, faço a piada com o homônimo – mais conhecido como rei do pop. Afinal de contas, para quem não conhece o saudoso beer hunter, é mais fácil pensar que se trata do cantor de Thriller e Billie Jean, entre outras… não, ninguém vai fazer o passo moonwalker de luvinha branca e soul glo no cabelo…)

Ouvindo: Marillion – Fugazi

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SCHLOSS EGGENBERG URBOCK 23º

Agosto 3, 2008 · 2 Comentários

A Schloss Eggenberg Urbock 23º é uma das quatro cervejas da mais antiga cervejaria austríaca disponíveis no Brasil. A aparência é de um dourado médio, contrariando o castanho avermelhado ou marrom avermelhado que geralmente se espera de uma doppelbock. Espuma branca, pouco abundante, pouca carbonatação.
Aroma doce, de malte e com presença notável do álcool. Sabor de malte, picante, residual doce notável mas não desequilibrado, álcool notável e lúpulo agradável, suave. A sensação na boca é de álcool superior e residual doce, licoroso.
Uma doppelbock incomum. Não faz uso de maltes muito torrados mas consegue o certo caráter picante do estilo. Teor alcoólico alto (9,6%), evidenciado no aroma, sabor e sensação de boca. Uma cerveja interessante…

Ouvindo: Marillion – Warm Wet Circles

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