Entradas do Julho 2008

10 CERVEJAS PARA SE COMEMORAR ANIVERSÁRIO

Julho 22, 2008 · 4 Comentários

Olá pessoal!

No dia 9 este que vos fala completou 3.4 20v turbo, aditivado com muito malte e lúpulo. Nada melhor nessas ocasiões do que fazer uma lista com as 10 primeiras cervejas que vêem à mente quando o assunto é comemorar com as favoritas da casa… vamos a elas então:

1- Pilsner Urquell

Começar com a mãe das pilsens, a melhor das pilsens tchecas, é quase que obrigatório. Para quem quer todo o sabor do malte pilsen (biscoito, pão), o amargor agradável e o aroma incrível do lúpulo Saaz. Infelizmente ela não está mais disponível no Brasil, mas pode ser substituída pela Czechvar, a 1795, a Starobrno ou a brazuca de responsa Wäls Pilsen (resenha em breve). Escolheria qualquer prato picante, com ingredientes como alho e pimenta, para acompanhar.

2 – Maredsous 6º

Blondes são cervejas que dificilmente desagradariam alguém. Frutadas, complexas, aromáticas, porém relativamente leves, é o tipo de cerveja que eu gostaria de ter em quantidades quase infinitas na minha adega ou geladeira. Das cervejas deste estilo vendidas no Brasil, podemos destacar exemplos como a Maredsous 6, a La Trappe Blond ou a própria Leffe Blond, atualmente a mais difundida e acessível.

A Maredsous é produzida pela cervejaria que também faz a Duvel, e é uma cerveja aromática, complexa, com aromas de fermento, malte, pêssego, pêra e lúpulo mais evidente. Uma delícia com queijo gouda.

3 – Eisenbahn Weizenbock

Aromas licorosos e complexos de bolo de banana, passas e chocolate; espuma abundante; sabor dos maltes de trigo, tostados e torrados fazem dessa cerveja uma das melhores feitas no Brasil, e um dos estilos mais interessantes e expressivos da escola alemã.

4 – La Chouffe

A mais cítrica de todas as cervejas belgas que conheço. Somente por esse predicado já valeria a pena considerá-la, mas além de todo o perfil cítrico, se percebe muito equilíbrio e sabor nessa strong golden ale de 8%, com sua lupulagem fina, especiarias e tudo o mais.

5 – Waterloo 7

A Waterloo 7 é um exemplar típico das tripels de abadia, mais cítricas e de final mais doce e menos medicinais e fenólicas do que cervejas – também espetaculares – como Tripel Karmeliet e St. Feuillien Tripel. Cítrica, frutada, adocicada, alcoólica, complexa, saborosa, é uma tripel que dificilmente desagradaria alguém.

6 – Fuller’s 1845

Uma old ale maturada por 100 dias, fabricada por essa cervejaria extraordinária, símbolo da escola inglesa. É uma cerveja riquíssima, onde todos os aromas e sabores foram arredondados pela longa maturação. Encorpada, de enorme presença de maltes tostados e torrados, lupulagem finíssima, notas de chocolate, baunilha, esterificada. Uma inglesona superlativa.

7 – Rochefort 6, 8 e 10

Na impossibilidade de eleger uma delas, pego logo toda a família. As crias da abadia trapista de Notre-Dame de Saint-Remy são cervejas extraordinárias, indescritíveis, que vão do marrom avermelhado ao marrom escuro, e apresentam uma infinidade de aromas e sabores de frutas escuras, vermelhas, baunilha, banana, pêra, figo, rum, etc. São néctares dos deuses, em variadas intensidades. São obrigatórias, indispensáveis.

8 – DeuS

Não poderia deixar de fora a principal representante das bières de champagne. Porém, além do caráter festivo e elegante, temos muito sabor e complexidade. É uma delícia de cerveja, com aromas de maçã, pêra, malte, gengibre, cravo e especiarias, e aparência e perlage de champanhe fino. Uma cerveja sem dúvida muito especial.

9 – Maudite

As crias da cervejaria canadense Unibroue são, invariavelmente, deliciosas. Entretanto, uma delas surpreende a todos que eu a apresento. A Maudite seria uma strong “red” ale belga, com aquele aroma de fermento típico das Unibroue que é agradabilíssimo, cor marrom mogno avermelhada, espuma abundante, muita esterificação, aromas complexos e agradável equilíbrio de aromas, sabores e álcool. Uma das melhores cervejas de estilo belga feitas fora dos países baixos.

10 – Strong Suffolk

Por fim, uma ode ao carvalho. Outra old ale saborosíssima, desta vez envelhecida em barris. Com seus aromas e sabores licorosos de frutas pretas como passas e ameixa, lembra um jerez ou vinho do porto, sem deixar para trás os sabores e aromas dos maltes e lúpulos. Ideal para se beber na biblioteca, sentado na poltrona, lendo um bom livro.

Com cerveja me esqueci de muitas outras, mas essas dez para mim são garantia de satisfação.

Gezondheid!

Ouvindo: Marillion – White Russian

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DEGUSTAÇÃO ACERVA MINEIRA E HAUS MÜNCHEN

Julho 2, 2008 · 8 Comentários

Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer a todos e dizer que o evento foi espetacular! Obrigado aos chefs Henrique Gilberto, Leandro Pimenta e Adriano Santos pelo empenho, talento e criatividade (vocês brilharam!!!), à jornalista Patrícia Lapertosa, da Prazeres da Mesa, por todo o apoio, ao José Augusto (Glück) por ter capitaneado o evento e a toda a equipe do Haus (em especial ao Adori e ao Rodrigo Ferraz, pelo apoio e por ter aberto as portas para a Acerva tão gentilmente.) Valeu demais!!!

Antes de mais nada, esse foi o cardápio criado especialmente para o evento:

O evento, que contou com cerca de 80 pessoas, teve duas opções de menu, cada uma com duas entradas, dois pratos principais e uma sobremesa, todas desenvolvidas especificamente para cada cerveja.

O Menu 1 contou com a Sopa de Batata Baroa com Salsicha Alemã e Pimentón como primeira entrada. Nada melhor para acompanhar uma pilsen alemã encorpada como a Oettinger Export. Já o Menu 2 contou com uma Verrine de Tomate e Camarão Defumado com Castanha-de-cajú, também para harmonizar com a Oettinger (!!!)

A segunda entrada do Menu 1 foi a celebradíssima Krathong-thong com Kabab de Ma-ho, Saladinha Verde e Caramelo de Especiarias. O prato tailandês, especialmente criado para acompanhar a blond artesanal La Roche Saarsgard, ficou arrebatador. Sua combinação de sabores levemente picantes no frango, coco e o caramelo de especiarias criou uma combinação provocante com o mel, o cravo e o frutado da La Roche. Desconcertante.

No Menu 2, o Gravilax de Salmão com Creme de Maçã Verde e Brotos de Alfafa fez dueto à witbier artesanal Glück Witt. O peixe, leve porém suculento, aliado à acidez cítrica da maçã, fizeram a Witt evidenciar todo o seu potencial frente a pratos dessa natureza.

Outro prato beirando o indescritível foi o Supremo de Perdiz com Musselina de Alecrim com Purê de Feijão Branco, Farofinha de Bacon e Redução de Cerveja Preta, ao lado da doppelbock artesanal Asfaltator, no Menu 1. O sabor da perdiz, aliado ao defumado da farofinha e aos sabores do purê e do molho de cerveja deram a sustentação necessária ao caráter picante, quase defumado, caramelizado e alcoólico da Asfaltator. Combinação saborosíssima.

Já no Menu 2, o primeiro prato principal foi o Atum Grelhado com Salsa de Frutas Cítricas e Risotto de Pistache, ladeando a Falke Monasterium. Desnecessário dizer do efeito que o sabor do atum, aliado ao cítrico e frutado da salsa de frutas como morango e maçã vermelha, além do estupendo risotto de pistache, me provocou.

O prato que me deixou mais paralisado foi a Costela de Boi Empanada em Castanha-do-Pará com Barbecue de Goiabada e Gratin de Batata, que acompanhou no Menu 1 a não menos estupenda Wäls Dubbel. Meu Deus, que combinação. Os sabores da costela e da castanha, junto ao defumado e adocicado do barbecue de goiabada, quando de encontro ao adocicado, frutado e torrado da Wäls, foram de perder o fôlego. Para mim foi o ápice de tudo. Acachapante.

Já o Menu 2 contou com uma interpretação com sotaque pra lá de mineiro, que foi o Ragú de Pé de Porco com Blinis de Batata Doce e Sauté de Ora-Pro-Nobis, para confrontar a força da IPA artesanal Glück IPAlpatine. A gordura do prato e os sabores característicos e exóticos da batata doce e da ora-pro-nobis enfrentaram muito bem a generosa dose de lúpulo e maltes caramelizados da Ipalpatine. Mais uma vez o link Minas-Inglaterra se provou pertinente…

Para fechar mais do que com chave de ouro, as sobremesas… no Menu 1, o Moeloux de Banana com Chocolate com a weizenbock Erdinger Pikantus. Preciso traduzir o óbvio?

E no Menu 2, o Royale Doce com Brioche Crocante e Figos ao Mel, com Leffe Radieuse. Os sabores e aromas de mel, frutas vermelhas e baunilha presente em ambos casaram-se de modo mais do que perfeito. Na mosca.

Esse evento foi a prova de que a união de talentos produz coisas do mais alto nível, e de que o potencial da cerveja e da cultura cervejeira é infinito e ainda tem muito, muito a ser explorado.

Obrigado a todos que estiveram presentes, e aguardem mais eventos dessa natureza para este ano. Com cerveja…

Maiores informações:

Acerva Mineira – http://acervamineira.blogspot.com

Haus München – http://www.hausmunchen.com.br

Prazeres da Mesa – http://prazeresdamesa.uol.com.br

Ouvindo: Ozzy Osbourne – Mr. Tinkertrain

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