Entradas do Maio 2008

SCHLOSS EGGENBERG HOPFEN KÖNIG E MAC QUEEN’S NESSIE

Maio 13, 2008 · 2 Comentários

Quatro cervejas da cervejaria austríaca Schloss (Castelo) Eggenberg, produtora da mítica Samichlaus, acabaram de chegar ao Brasil. Além da própria Samichlaus, estão disponíveis nas melhores casas do ramo a Urbock 23º, a Eggenberg Hopfen König e a Mac Queen’s Nessie.

A Samichlaus é a lager mais alcóolica do mundo, com seus 14% abv (!!!) É feita uma vez por ano, no dia 6 de dezembro, no dia de São Nicolau (em inglês Santa Claus, em alemão Samichlaus, ou seja, o próprio Papai Noel) e é maturada por 10 meses antes de ser engarrafada e comercializada. Mas ela e a Urbock 23º serão degustadas e comentadas num próximo post.

Vamos, portanto, às remanescentes. A Eggenberg Hopfen König (“Rei do lúpulo” em alemão) é uma pilsen de 5,1% de álcool, cor dourado claro, aromas suaves de biscoito e lúpulo, pouco corpo e amargor um pouco desequilibrado em relação ao resto. Ao contrário do que pode sugerir o nome, a lupulagem não é tão assertiva quanto se imagina, ficando no mesmo padrão das pilsens germânicas comuns. Mesmo assim, seu pouco corpo não conseguiu segurar a dose de lúpulo utilizada. O exemplar que degustei se apresentou um pouco oxidado, fato comum em pilsens mais lupuladas que viajam muito, mas ainda assim vale a experiência, pelos lúpulos finos e aromas sutis e agradáveis…

Já a Mac Queen’s Nessie é apresentada como uma “whisky malt red beer”. Trata-se de uma scotch ale ou wee heavy feita pela cervejaria-castelo austríaca (ahhhh a globalização!!! Algo como o casamento de “Mr. Ian MacEwan” com “Ingrid Bergermann”…) O nome faz referência à lenda o monstro de Loch Ness, idéia sempre boa quando se trata de cerveja.

Falando seriamente, é uma cerveja saborosíssima. O malte defumado pela turfa das Highlands escocesas encontra nos Alpes austríacos lúpulos finos e leveduras de alta fermentação, e o resultado é uma cerveja cor de cobre intenso, aroma delicioso, complexo (defumado, turfa, manteiga, caramelo, açúcar, lúpulo), sabor intenso de malte, lupulagem fina e grande drinkability, afinal de contas é uma ale de apenas 5,0% de álcool. Quem é amante de whisky tem obrigação de prová-la.

Ouvindo: Marillion – Heart of Lothian

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COMIDA DI BUTECO

Maio 8, 2008 · 5 Comentários

O Beer Architecture abre parênteses nas grandes cervejas para falar do concurso que rola aqui em BH. O Comida Di Buteco é o concurso anual que procura premiar o melhor boteco da capital brasileira dos botecos. Este ano são 41 bares participantes e o evento dura 31 dias. Os bares competem entre si em quesitos como o melhor tira-gosto, a cerveja mais gelada (ou de temperatura mais “adequada”), higiene e atendimento. O concurso existe desde 2000 e esta é sua nona edição. Hoje se pode dizer que já é um evento tradicional, que faz parte da identidade belorizontina, e que a cada ano ganha maiores proporções.

Os tira-gostos são o maior foco do concurso. Os bares disputam entre si qual é o melhor e mais criativo tira-gosto. A criatividade e a apresentação têm um peso grande, tanto quanto o sabor dos pratos. Os botecos nitidamente se esmeram para fazer pratos surpreendentes, saborosos e originais. Um belo tira-gosto, aliado a um atendimento diferenciado, num ambiente agradável e com cerveja gelada na mesa é forte candidato a levar o caneco.

O tema deste ano para os tira-gostos foi o torresmo. Todos os pratos tinham que conter a iguaria em suas receitas, ou o bar tinha que servir o torresmo à parte para o cliente. Achei a idéia muito feliz, pois o torresmo é um dos tira-gostos mais típicos e emblemáticos da cozinha botequeira e também adoro um bom torresminho.

Haja fôlego para visitar 41 botecos em 31 dias. O que costumo fazer é eleger os tira-gostos que mais me interessaram, os bares que tenho mais vontade de conhecer e separar os que estão sendo mais bem comentados. E tentar conciliar tanta “visita” com a minha agenda…

Abaixo, alguns dos bares que fui esse ano. Resta dizer que o evento é sempre encerrado com uma grande festa, a Saideira, que este ano conta com shows do Monobloco, Velha Guarda da Portela, Trio Mocotó e muitos outros bambas…

O primeiro é o Família Paulista. Como o próprio nome diz, é administrado por uma família oriunda de São Paulo que instalou um bar simpático e pequeno numa espécie de calçada interna entre duas ruas do bairro Cidade Nova, um dos mais tradicionais da cidade. O lugar é agradável, o boteco tem mais cara de bar, e participa do concurso há vários anos. Esse ano, ao homenagear os 100 anos da imigração japonesa, eles atacaram de “sushis mineiros”: makis de canjiquinha com couve, tropeiro e “sashimis” de lombo. Extremamente criativo e saboroso, está sendo considerado um dos favoritos esse ano.

O Köbes é um bar em Santa Tereza, de origem germânica, que conta com carnes exóticas em seu cardápio. É outro bar agradabilíssimo, de atendimento ótimo, bela carta de cachaças e antigo participante também. Este ano ele atacou de “Mineirice com Sotaque”, um prato que leva “torresmo estalinho” (pururuca em espiral) que estala ao ser molhado no molho “negrito” (de feijão preto), bolinhos de carne com recheio de cebolinha em conserva (e tempero lembrando kafta) e um divino croquete de cenoura com recheio de mussarela e azeitona verde recheada. Uma delícia.

O Bar do Antônio, também conhecido como Pé-de-Cana (alusão aos pés-de-cana que foram plantados nos canteiros, mas que bem pode ser utilizado para algum cliente mais estusiasmado…), é um bar no coração da zona sul, que atacou esse ano de enroladinho de lagarto com presunto parma (hmmmm…) ao molho de vinagre balsâmico. Chique pradaná…

O Bar do Doca é um dos principais bares de BH, um dos mais populares e concorridos. O bar original foi aberto na Av. Silva Lobo, onde continua enfileirando mesas e mesas de clientes. Com o sucesso, um segundo bar foi aberto no bairro Gutierrez e um terceiro no coração boêmio de BH, o quarteirão que abriga ícones como a choperia Albano’s e o Bar da Neca. Famoso por sua carne de sol assada no espeto com mandioca na manteiga de garrafa, o Doca conta com um dos cardápios mais completos e qualitativos da cidade. Este ano eles criaram a moqueca de carne de sol, com medalhões de carne de sol com queijo coalho e banana, no palito, com palmito pupunha, pimenta biquinho, farofa de torresmo, torresmo pururuca e pãezinhos com gergelim. E tinha gosto de moqueca mesmo, apesar de não ter nada de peixe!

A Cantina do Paco é um bar cujo proprietário, um espanhol extremamente simpático, coloca música flamenca ambiente e que criou um frango a passarinho defumado simples e divino. O grande lance foi o fato do frango ser defumado, o que adicionou um sabor incrível ao prato. Ele ainda é envenenado com queijo minas ralado grosso, queijo parmesão ralado, alho fritinho, orégano e pimenta biquinho, escoltado pelo torresmo carnudo. Esse tira-gosto pede litros de pilsen pra acompanhar. Estava babando por uma alemã ou até mesmo tcheca ali…

E tem muito mais… recomendo a todos conhecer os bares e o concurso, é uma experiência sem dúvida muito rica. O site oficial do concurso é o www.comidadibuteco.com.br . “Vamo simbora, bebê, caí, levantá!”

Ouvindo: Whitesnake – Fool For Your Loving

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