Entradas do Abril 2008

GREENE KING IPA

Abril 21, 2008 · 6 Comentários

Olá pessoal!

O estilo IPA (India Pale Ale) talvez seja o favorito, ou pelo um dos mais populares entre os fãs da escola inglesa, por representar com intensidade todas as características marcantes desta escola. Cor, aromas e sabores de maltes caramelizados e presença maciça de lúpulos aromáticos e de amargor são as características originais do estilo, oriundas de sua história. As India Pale Ales eram enviadas para o exército britânico na Índia, na época da colonização britânica, e para suportar a longa viagem de navio, eram “turbinadas” com muito lúpulo, maior presença de malte e conseqüente maior teor alcoólico, para aumentar a sua conservação durante a jornada.

Com o passar do tempo as versões inglesas do estilo foram se atenuando e o termo IPA se espalhando indiscriminadamente, sendo usado até mesmo em cervejas que não se encaixam no estilo, como é o caso da Greene King IPA. Cervejas com concentrações de malte e lúpulo tão baixas e teor alcoólico abaixo de 4% fogem ao estilo, se encaixando mais nos conceitos mild ale, pale ale ou bitter ale.

A Greene King IPA é uma cerveja de cor maravilhosamente âmbar/mogno e espuma bege densa e duradoura. O aroma é muito sutil e suave, com algo de biscoito e lúpulo terroso. É cremosa, de sabor ligeiramente adocicado (biscoito, pão), muito pouco amargor, corpo e álcool (3,6%). Uma mild ale que serviria muito bem como chopp num pub, para se tomar em grandes quantidades, pelo caráter suave, equilibrado, cremoso e fácil de beber, mas definitivamente longe de representar o estilo intenso favorito dos “lupulomaníacos”. Homebrewers brasileiros andam resgatando este estilo, assim como fizeram os americanos, e uma representante empolgante do estilo é a Glück IPAlpatine, a IPA que passou para o lado negro da Força.

Ouvindo: Judas Priest – Sinner

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DESAFIO DAS BOCKS – PAULANER SALVATOR E BADEN BADEN BOCK

Abril 11, 2008 · 1 Comentário

O estilo bock (e seu derivado doppelbock) é um estilo da escola alemã, de baixa fermentação (lager), cuja principal característica é a presença de maltes caramelizados e tostados, sabor picante e sua indefectível cor avermelhada. A história do estilo remete à Idade Média na Alemanha, e a velha necessidade dos monges católicos de produzir cerveja “fortificada” para os jejuns da Quaresma, principalmente (isso aconteceu também na história da cerveja belga e por aí vai…)

A origem do nome do estilo é um mistério. Há duas versões mais aceitas: uma derivação de “beck”, derivado de Eisbeck, cidade alemã onde o estilo floresceu, e também o radical para “bode” (bock), em referências consideradas de origem “pagã”, pelo fato do estilo ser produzido normalmente na época do ano correspondente ao signo de capricórnio. Para o teste comparativo, escalei uma doppelbock genuinamente alemã e uma bock brasileira.

O estilo doppelbock nada mais é do que o estilo bock intensificado, em linhas gerais. Doppel, em alemão, significa “duplo”, “duplicado”. Com esse informação, já dá pra desconfiar do que se trata: uma bock “turbinada”, onde as concentrações de malte e, por consequência, o teor alcoólico, são maiores.

A Paulaner Salvator é considerada a doppelbock original, pedra fundamental do estilo, e a cerveja feita também para o consumo próprio do pai da religião luterana, Martinho Lutero. Era sua cerveja preferida, que ele apreciava beber especialmente em dias “mais amenos”, dado o potencial “aquecedor” da mesma…

Produzida até hoje pela cervejaria alemã, trata-se hoje, em dias modernos, de uma doppelbock de cor caramelo avermelhada, brilhante e translúcida. Espuma morena e pouco persistente. Aroma doce, picante, licoroso, de álcool e biscoito. Sabores de malte, pão, caramelo, doce e final amargo de lúpulo. Seu teor alcoólico de 7,9% a torna uma cerveja potente e de alto potencial aquecedor. Um ícone das lagers, sem dúvida.

Já a Baden Baden Bock é uma versão brasileira “premium” do estilo. Cerveja extremamente agradável e bem feita, apresenta cor de madeira escura, brilhante e translúcida, espuma mais abundante e de maior retenção. O aroma é suave e agradável, de malte, biscoito doce e um certo frutado. Os sabores de maltes tostados, pão, levemente picantes, aliados ao pouco amargor e lupulagem pouco notável, além da ausência de residual doce (característica marcante da Paulaner Salvator) são complexos e similares aos do estilo amber lager, com aquele “spice” a mais. Seu teor de 6,5% é absolutamente equilibrado e discreto, suficiente e satisfatório. Sem dúvida uma cerveja de grande envergadura.

A comparação entre uma cerveja bock e uma doppelbock foi proposital. A intenção do post foi mostrar duas grandes representantes desses dois estilos, praticamente únicas em suas “legislaturas”… infelizmente temos pouquíssimos exemplares de bocks e doppelbocks, e a melhor de todas, a Spaten Optimator, não está sendo comercializada mais no Brasil. Hoje, a melhor cerveja do estilo (e talvez a melhor cerveja artesanal do país) é a Thor, doppelbock produzida pelo nosso amigo homebrewer Leonardo Botto. Essa merece um post à parte, mas somente quando eu receber pelo menos um exemplar na minha casa para a devida resenha (entendeu a indireta, Dr. Botto?)

Ouvindo: Venom – Countess Bathory

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HARMONIZAÇÃO – CZECHVAR E BIFE DE CHORIZO

Abril 10, 2008 · Deixe um comentário

Hoje bateu uma baita vontade de comer aquela carne… Logo me veio à mente um bife de chorizo, tradicional corte parrilero argentino/uruguaio, um dos cortes mais saborosos que existem por aí. Para acompanhar, logo pensei qual cerveja escoltaria essa carne com propriedade… e escalei duas opções…

Carnes de sabor intenso, grelhadas e/ou temperadas com molhos picantes casam melhor com cervejas de maltes caramelizados e levemente torrados ou pilsens encorpadas e lupuladas. Os maltes caramelizados harmonizam com a “caramelização” da carne ao ser grelhada, e o lúpulo combate bem os excessos de gordura e ardor provenientes de ingredientes como alho, cebola ou pimenta. Por isso, as cervejas inglesas de maltes caramelizados e lupuladas por definição são companheiras perfeitas para refeições carnívoras. O que não faz com que boas pilsens não se saiam igualmente bem, como é no caso da Czechvar, autêntica pilsen tcheca lupulada e com o adocicado do malte bem presente.

Para acompanhar o bife de chorizo, dois molhos: o tradicional e saborosíssimo chimi churri, escolta típica do prato, e o barbecue. O primeiro, feito na hora com salsa desidratada, azeite extra virgem e pimenta seca como base, deu o tom mais típico e picante ao prato, o que casou muito bem com a poderosa pilsen tcheca. Já o barbecue deixei mais para a segunda cerveja, a John Smith, inglesona que degustei logo a seguir. O molho barbecue reforçou o caráter adocicado que combina com a cerveja. Faltou um pouco de malte/doce/caramelo/lúpulo nessa cerveja para fazer frente ao prato. Acho que uma Abbot Ale seria melhor acompanhamento, com níveis ideais dessas características…

Bom , é isso aí. Este post é para reafirmar o potencial harmonizante das pilsens de verdade, talvez o estilo de cerveja mais versátil que existe para isso. Ficou bom pacas…

Ouvindo: Marillion – Seasons End

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DESAFIO DAS WEIZENBOCKS

Abril 8, 2008 · 4 Comentários

Olá pessoal!

Este post traz considerações a respeito de três exemplares do estilo weizenbock que coloquei em desafio, degustando-as no mesmo dia. A degustação de todas na mesma ocasião se faz necessária, pois o juízo de valor muda de acordo com o dia e não se deve confiar 100% no julgamento de memória… (há outros fatores que devem ser levados em consideração também, mas isso deixaria esse tipo de teste informal pretensioso além da conta…)

As cervejas selecionadas foram a Schneider Aventinus, eleita 1º lugar do estilo no concurso European Beer Star de 2007 e 3º lugar no Australian International Beer Awards, a Eisenbahn Weizenbock, eleita 3º lugar no European Beer Star e 2º lugar no Australian International Beer Awards , e a Erdinger Pikantus, renomado exemplar da conhecida cervejaria alemã. O resultado vocês acompanham agora. Mas já posso adiantar que foi reconfortante…

A Schneider Aventinus é um verdadeiro mito. A cervejaria Schneider goza de enorme reputação no meio cervejeiro e sua weizenbock é considerada por muitos sua melhor cerveja. Por isso, aguardávamos ansiosamente essa cerveja chegar, o que, felizmente, aconteceu ano passado.

O exemplar degustado mostrou cor marrom escura, de melaço, com muitas placas de leveduras como depósito ao servir. Na aparência, a carbonatação intensa estava na intensidade correta. O aroma frutado revela muitas passas, ameixa e fermento. No sabor é ligeiramente ácida, de álcool notável, sabores de maltes torrados, passas e sensação licorosa. Com um teor alcóolico de 8,2%, é um exemplar muito bom e absolutamente típico do estilo.

A Erdinger Pikantus se revelou a mais clara e de menor teor alcóolico (7,3%) das três, porém não menos intensa em sabores e aromas. Aromas nítidos de ameixa, frutas pretas, malte e sensação licorosa, características que o sabor também apresenta, em harmonia com o aroma. Indubitavelmente uma excelente cerveja.

A Eisenbahn Weizenbock, que mostrou no aspecto um marrom um pouco mais escuro do que a Aventinus; aroma de frutas pretas, licoroso e alcóolico, lembrando muito dark ales belgas (!!!); teor alcóolico de 8% e sabores de passas, calda de ameixa e jerez, conseguiu se destacar, mesmo tendo à frente essas duas deliciosas oponentes, que “perderam” por pouco. Foi minha preferida no embate, embora a grande conclusão que podemos chegar é a de que nós estamos muito, muito bem servidos de weizenbocks!

Portanto, só me resta erguer um brinde a isso: ein prosit!!!

Ouvindo: Tankard – Kings Of Beer

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