Após um longo e tenebroso inverno de dedicação à análise, degustação, compra e avaliação de inúmeras cervejas, finalmente passei para o lado de lá. Ou seja, concretizei a minha primeira leva, minha primeira cerva. Projeto já antigo (que vem desde que me entendo por gente, para ser sincero) e que tomou corpo quando os confrades começaram a fazer cerveja em casa; finalmente foi consumado e minha primeira filha já está aí no mundo. Vale ressaltar que a filha em questão é de muita gente, visto que se trata indefectivelmente de uma Glück, ou seja, feita com o pessoal da Glück Bier (Zé Augusto, Diego e Daniel), confrades acervo-mineiros como eu, e detentores de vários prêmios homebrewers (eles saíram na reportagem da Sexy de dezembro/07, lembram?) e que têm receitas consagradas como a Glück Hairy Porter (uma vanilla porter deliciosa, campeã do BH Home Bier), a Glück Witte (uma witbier que não deve nada à Hoegaarden, escolha do público no BH Home Bier) e a Glück IPAlpatine, uma IPA absolutamente chocante.
Bom, a realidade é que as Acervas, sejam a Carioca, a Paulista ou as recém criadas Acervas do Sul abrigam homebrewers de grande talento, sem exceção. Gente apaixonada por cerveja, de grande sensibilidade e senso criativo superlativo. Eu não podia ficar de fora desse grande movimento e comecei a brincar também. E, após a minha primeira batelada, ainda que tardia, tudo que posso dizer é que fazer cerveja é igual a tatuagem: depois da primeira, é muito difícil parar… E, no final, acabei cunhando uma frase, fruto da sensação que me invadiu após a primeira, segunda ou terceira vez que bebi a Hercule: “Feliz é o homem que bebe sua própria cerveja” .
Após todas essas divagações, quero ser objetivo e falar da menina: a Glück Hercule é uma belgian strong ale, que em sua primeira versão mostrou uma cor castanho-alaranjada, espuma densa, abundante e resistente, e um aroma muito intenso de mel, cravo, melaço, fermento, frutas e álcool. Sabor intenso de malte e álcool (contando que são apenas 7% vol. alc.), lupulagem baixa, residual doce controlado e muita esterificação. Retrogosto intenso, harmônico com as impressões e sabores iniciais. Tem evoluído com rapidez e se tornado, sem modéstia, uma grande cerveja.
Acompanhem, portanto, algumas fotos que ilustram o processo:

Brassagem

Clarificação

Análise da cor e da FG

Engarrafamento (a cerveja na taça da Confraria é a Glück Witte)

Produção finalizada (estoque pessoal)

Gluck Hercule #1 !!!
Bom, o resultado me agradou bastante, ainda mais para uma estréia. Agora, o melhor da farra é fazer os ajustes na receita para preencher melhor os requisitos pessoais. E meter a mão no panelão de novo!!!
P.S.: Meus agradecimentos ao Diego (incansável, obstinado homebrewer), ao Zé (brother sintonia total) e ao Rômulo Machado, cuja ajuda foi de enorme valia (tá pronta, meu velho, vamo bebê?) E à Thaís, minha musa inspiradora e primeira dama do movimento cervejeiro mineiro!
Cerevisia quæ vespera tamem!
Ouvindo: Led Zeppelin – In My Time Of Dying