Entradas do Fevereiro 2008

CONCURSO ARTESAMALT DE CERVEJAS ARTESANAIS

Fevereiro 26, 2008 · 2 Comentários

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Olá pessoal!

Essa notícia é para todos os homebrewers e para todos os apreciadores de cerveja que estarão em Belo Horizonte neste próximo sábado, dia 01 de março: a Cervejaria Artesamalt, de Capim Branco-MG, está promovendo um concurso para a escolha de uma receita de cerveja estilo pale ale, onde participarão todos os homebrewers mineiros (que, graças à São Gambrino, não são poucos!)

O concurso contará com um júri composto por nomes de peso, do quilate de Cilene Saorin, Kátia Jorge, Paulo Schiavetto, Marco Falcone, Leonardo Botto (ganhador do concurso da Eisenbahn), Edu Passarelli, Roberto Fonseca (Latinhas do Bob) e jornalistas de renome como Chico Maia, Ronaldo Nascimento, Eduardo Girão e Patrícia Lapertosa, entre tantos nomes ilustres do meio cervejeiro e jornalístico (ah, e esse humilde escriba lá no meio também…)

Pela manhã, julgaremos às cegas todas as cervejas e elegeremos a campeã. À tarde, todos poderão degustar as cervejas concorrentes e vários outros rótulos (inclusive a Glück Hercule, que levaremos especialmente para o evento!), além dos maravilhosos chopps da Artesamalt.  Será uma grande confraternização da cerveja, uma grande festa!!!

Por isso esperamos vocês lá!

Um abraço e um brinde!

Ouvindo: Led Zeppelin – Down By The Seaside 

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GLÜCK HERCULE #1

Fevereiro 21, 2008 · 7 Comentários

Após um longo e tenebroso inverno de dedicação à análise, degustação, compra e avaliação de inúmeras cervejas, finalmente passei para o lado de lá. Ou seja, concretizei a minha primeira leva, minha primeira cerva. Projeto já antigo (que vem desde que me entendo por gente, para ser sincero) e que tomou corpo quando os confrades começaram a fazer cerveja em casa; finalmente foi consumado e minha primeira filha já está aí no mundo. Vale ressaltar que a filha em questão é de muita gente, visto que se trata indefectivelmente de uma Glück, ou seja, feita com o pessoal da Glück Bier (Zé Augusto, Diego e Daniel), confrades acervo-mineiros como eu, e detentores de vários prêmios homebrewers (eles saíram na reportagem da Sexy de dezembro/07, lembram?) e que têm receitas consagradas como a Glück Hairy Porter (uma vanilla porter deliciosa, campeã do BH Home Bier), a Glück Witte (uma witbier que não deve nada à Hoegaarden, escolha do público no BH Home Bier) e a Glück IPAlpatine, uma IPA absolutamente chocante.

Bom, a realidade é que as Acervas, sejam a Carioca, a Paulista ou as recém criadas Acervas do Sul abrigam homebrewers de grande talento, sem exceção. Gente apaixonada por cerveja, de grande sensibilidade e senso criativo superlativo. Eu não podia ficar de fora desse grande movimento e comecei a brincar também. E, após a minha primeira batelada, ainda que tardia, tudo que posso dizer é que fazer cerveja é igual a tatuagem: depois da primeira, é muito difícil parar… E, no final, acabei cunhando uma frase, fruto da sensação que me invadiu após a primeira, segunda ou terceira vez que bebi a Hercule: “Feliz é o homem que bebe sua própria cerveja” .

Após todas essas divagações, quero ser objetivo e falar da menina: a Glück Hercule é uma belgian strong ale, que em sua primeira versão mostrou uma cor castanho-alaranjada, espuma densa, abundante e resistente, e um aroma muito intenso de mel, cravo, melaço, fermento, frutas e álcool. Sabor intenso de malte e álcool (contando que são apenas 7% vol. alc.), lupulagem baixa, residual doce controlado e muita esterificação. Retrogosto intenso, harmônico com as impressões e sabores iniciais. Tem evoluído com rapidez e se tornado, sem modéstia, uma grande cerveja.

Acompanhem, portanto, algumas fotos que ilustram o processo:

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Brassagem

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Clarificação

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Análise da cor e da FG

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Engarrafamento (a cerveja na taça da Confraria é a Glück Witte)

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Produção finalizada (estoque pessoal)

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Gluck Hercule #1 !!!

Bom, o resultado me agradou bastante, ainda mais para uma estréia. Agora, o melhor da farra é fazer os ajustes na receita para preencher melhor os requisitos pessoais. E meter a mão no panelão de novo!!!

P.S.: Meus agradecimentos ao Diego (incansável, obstinado homebrewer), ao Zé (brother sintonia total) e ao Rômulo Machado, cuja ajuda foi de enorme valia (tá pronta, meu velho, vamo bebê?) E à Thaís, minha musa inspiradora e primeira dama do movimento cervejeiro mineiro!

Cerevisia quæ vespera tamem!

Ouvindo: Led Zeppelin – In My Time Of Dying

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CZECHVAR (BUDWEISER BUDVAR)

Fevereiro 12, 2008 · 4 Comentários

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Creio que já contei a todos a história da origem da cerveja pilsen: o mestre cervejeiro alemão Josef Groll foi convidado a trabalhar numa cervejaria recém inaugurada na cidade de Pilsen, região da Boêmia, atual República Tcheca, no ano de 1838. Em 1842, ao fabricar uma cerveja de baixa fermentação, obteve como resultado uma cerveja extremamente límpida e cristalina para os padrões da época. A cor dourada chamava muito a atenção, e aliada aos sabores e aromas notáveis de malte e lúpulo, a nova cerveja se tornou popular muito rapidamente. O aspecto belíssimo da cerveja, que remetia a ouro líquido, pôde ser apreciado plenamente nos copos de cristal transparente difundidos na mesma época na região. Essa conjunção de fatores contribuiu para o sucesso imediato do novo estilo de cerveja, batizado com o nome da cidade.

As características principais do estilo pilsen são: baixa fermentação, cor dourada (cor de ouro mesmo) , presença, aroma e sabor de malte, presença assertiva de lúpulos de amargor e aromáticos e nenhuma esterificação (aromas provenientes da fermentação). Obviamente, bem diferente do que você está acostumado a chamar de pilsen por aqui, principalmente quando se trata das pilsens originais tchecas, mais próximas do estilo original do que as alemãs. As representantes mais famosas e significativas do estilo pilsen boêmio (a região, não necessariamente o estilo de vida) são a Pilsner Urquell (cerveja da cervejaria original onde Josef Groll criou sua obra prima), que esteve recentemente disponível por aqui, mas já sumiu (deve ter sido o preço proibitivo…) e a Budweiser Budvar, marca que se viu envolvida numa disputa interminável sobre o nome com, adivinhem qual marca de qual país… exatamente. Não se sabe exatamente quando e como a cervejaria americana começou a utilizar o nome Budweiser, mas o fato é que ela se tornou tão grande que hoje a cervejaria original tcheca não pode comercializar sua cerveja com o nome original em terras ianques e, por consequência, numa série de outros países. Daí o nome improvisado “Czechvar“. Mas todo mundo sabe bem do que se trata.

A Czechvar, ou Bud tcheca, é uma cerveja absolutamente incrível. Talvez seja a pilsen de cor mais bela que existe. Um ouro puro, 24 quilates, intenso, absolutamente dourado. Os aromas de malte e lúpulo são inebriantes, completamente intensos. O sabor segue a linha, com presença levemente adocicada de malte e retrogosto agradabilíssimo de lúpulo de amargor.

Resumindo tudo: é a melhor pilsen que você pode beber no Brasil hoje. Aproveite que ela está bem mais acessível do que a Urquell e deguste-a a valer! Puta cerveja.

Ouvindo: Ozzy Osbourne – Perry Mason

P.S: Foto tirada no Haus München, casa cervejeira de BH.

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FULLER’S LONDON PORTER

Fevereiro 11, 2008 · 3 Comentários

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“A melhor porter do mundo”. É o que costumam dizer a respeito desta bela cerveja, acondicionada numa belíssima garrafa de rótulo marrom, vinho e dourado, como que antecipando os aromas de chocolate e expresso que estariam por vir…

Adjetivos superlativos não faltam à London Porter, muitos deles orgulhosamente tecidos pela própria cervejaria. Novamente no rótulo, eles apregoam: “a melhor do mundo – rica, escura e complexa”. Minha inclinação foi acreditar, pois sabia do que eles eram capazes – vide a fabulosa 1845, a deliciosa ESB e a estupenda Golden Pride, além da excelente London Pride. Então, era mais do que hora de resenhar a última das cinco disponíveis por aqui.

Ao servir vigorosamente num pint, o que você vê é uma cerveja marrom-escura, cor precisa de porter, que não chegam a ser pretas como as stouts. E o que você sente é um aroma de baunilha intenso, acompanhado de café e, sim, um certo defumado. O aroma de baunilha te faz imaginar se ela não seria uma vanilla porter… malte, malte, malte: é a única cerveja da Fuller’s que não apresenta aquele aroma incrível de lúpulo com veemência.

Ao beber, o que chama atenção é a incrível cremosidade… peraí… colocaram aveia pracaraca nessa cerveja… vanilla oatmeal porter??? É, de longe, a porter (ou stout) mais aveludada que já degustei, deixando um verdadeiro rastro espesso na língua e no palato… o retrogosto é de café fraco, ou capuccino forte. O amargor de lúpulo é discreto, sendo eclipsado pelo amargor da torrefação dos maltes. Sim, caramba, eles têm razão. Complexa no aroma e no sabor…

No fim da degustação, a impressão geral: é uma cerveja equilibradíssima, de aroma complexo e delicioso, aveludada e extremamente saborosa. Dizem que essa é a porter referência do estilo (mais um elogio superlativo, não disse?). Acho que se todas as porters fossem baseadas nela, não ficaríamos mal, com certeza. Deguste-a acompanhada de um gorgonzola suave e chocolate meio amargo sabor café ou capuccino (ou trufas… é de arrasar…)

Ouvindo: Iron Maiden – Rime Of The Ancient Mariner

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